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a alma da flor

a alma da flor

E Por fim - Havana!

06.09.08 | DyDa/Flordeliz

Quem folheia os catálogos de viagens e procura praias maravilhosas, o Caribe é de imediato uma das que nos prende o olhar. Mas este não foi o motivo da viagem a Cuba, até porque, há outros destinos com potencialidades idênticas e menos dispendiosas.

Realmente o que me movia era o romantismo que terá existido e parece ainda existir nestas paragens - as lutas entre piratas e corsários, escravos e colonos, guerras de potências pelo domínio das suas colónias e muito mais recentemente o antagonismo entre comunismo e capitalismo.
É certo que quando viajamos para mais longe procuramos aproveitar tudo ao máximo pois nunca temos a certeza de lá voltar e, logicamente, escolhemos um destino que nos ofereça o sol, a água e as praias com que muitas vezes sonhamos.
Varadero é, pois, o destino óbvio de qualquer turista que demande Cuba e, depois de lá estarmos, com todo aquele ambiente deslumbrante temos tendência em esquecer o resto do país.
Embora tentador, aconselho que não o façamos. Cuba tem tanta história para ver e para contar que os dias de praia poderão esperar por outra oportunidade.
Já aqui narrei a minha experiência de uma viagem a Santa Clara, Trinidad, Cienfuegos e toda uma região envolvente com particularidades únicas e deslumbrantes. Mas agora chegou a hora de falar de Havana, porventura, a razão primeira da nossa ida a Cuba.
A duas horas de viagem de Varadero, o percurso que realizamos apesar de não ter o encanto da viagem anterior, teve o condão de ser feito quase sempre com o Oceano Atlântico à vista.
Passamos por Matanzas, cidade com um grande passado cultural, daí o facto de, em tempos, já ter sido apelidada de “Atenas de Cuba”, com uma baía lindíssima e que outrora terá tido uma importância extraordinária na defesa de Havana face à pirataria que assolava na região.
Chegados a Havana, a primeira visita foi ao Castelo de El Morro, uma das fortificações da cidade. Proporcionou uma vista panorâmica lindíssima sobre a parte velha da cidade, a sua baía e o Malecón, marginal junto à baía que nos irá conduzir mais tarde à parte nova da cidade.
Para se entrar na cidade, temos de passar debaixo do canal de entrada da baía através de um túnel, e surge-nos então Habana Vieja e a zona do porto de mar, com automóveis que nós já não pensávamos existir – Buicks, Cadillacs, Dodges - mas que apesar de há mais de 50 anos já terem saído de linha, aqui ainda “rolam”, apesar de provavelmente circularem sem vidros, com peças de latão ou madeira, ou mesmo dos Ladas entretanto importados da Rússia décadas atrás.
Percorridas algumas ruas com interesses variados, como seja as condutas de água para abastecer os navios no porto, um mosteiro franciscano transformado em hotel, o café frequentado pelo nosso Eça de Queirós na altura da sua passagem pela ilha como cônsul do nosso País, até chegarmos ao Palácio do Governador, agora transformado em museu, com a particularidade muito engraçada do piso no exterior ser em madeira, substituindo a pedra, permitindo dessa forma à mulher do governador de então, ter um sono mais descansado face ao ruído das carruagens puxadas a cavalo.
Até que uma chuvada valente (uma viagem a Cuba sem uma chuvada destas não seria uma viagem completa) nos interrompe a caminhada…
Acabada a bátega de água, e uma vez que havia timings a cumprir, fomos almoçar para visitar a parte nova da cidade, deixando para o final da tarde o resto que nos falta ver da velha.
A visita à parte nova de Havana começa pelo Memorial José Martí (poeta, pensador, jornalista, filósofo, político, mártir da independência cubana), um monumento grandioso que serve de pano de fundo à Praça da Revolução, sita na área envolvente, local das cerimónias políticas em Cuba nos dias de hoje.
Seguimos para o Capitólio, um belo edifício, contíguo ao Grande Teatro de Havana, também ele com uma traça espectacular, com um estado de conservação excelente, a contrastar com os prédios que lhe estão à volta.
Voltando ao Capitólio, sede da Assembleia Constituinte e do Senado até à revolução que depôs Fulgêncio Batista, é o segundo edifício mais alto de Havana, com interiores de um valor artístico incalculável, com especial relevo para a estátua da república, a terceira maior do mundo em espaços interiores.
Regressamos como prometido à parte velha para visitar o que faltava do programa. Digno de maior registo foi a Catedral, edifício do século XVIII, começada a ser construída pelos jesuítas que, entretanto não a puderam acabar por terem sido expulsos de Cuba por ordens do rei Carlos III de Espanha.
Ah!... e por fim não podia faltar…uma visita à Bodeguita del Médio, um restaurante-bar muito próximo da catedral, mas destinado a purificar outros estados de alma, como seja tomar um mojito, um daiquiri ou uma cuba-libre, bebidas cubanas por excelência, acompanhados sempre de ritmos cubanos.
È que para além do beisebol, o principal desporto do país, a música está de tal forma enraizada na cultura do povo cubano, a ponto de em todos os bares, restaurantes ou hotéis de Havana, Varadero, Trinidad, Cienfuegos ou outra qualquer localidade, haver sempre um grupo a tocar e a cantar, as suas canções tradicionais ou de índole revolucionária.
Naturalmente que para acabar em beleza não podíamos deixar de assistir a um espectáculo onde a música marcasse presença, e nada melhor que o famoso cabaret Tropicana para tal desiderato. Um show igual a tantos outros por esse mundo fora, mas que aqui tem um encanto especial, ou não estivéssemos em Havana.
A.C.
 

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