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a alma da flor

a alma da flor

" O dia de hoje é uma dádiva, por isso é que o chamam de presente."

07.03.08 | DyDa/Flordeliz

Não é a primeira vez que recebo este email e porque o acho de uma bondade e uma beleza imensa o resolvi partilhar:

Dois homens, gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital.


Um deles podia sentar-se na cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto.


O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas.


Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus hobbies, onde tinham passado as férias...

E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela.
 
O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo do lado de fora da janela.

 
A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris.

Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma ténue vista da silhueta da cidade podia ser vislumbrada no horizonte.
 
Enquanto um homem descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o outro fechava os seus olhos e imaginava as pitorescas cenas.
 
Um dia, o homem perto da janela retratou com tal pormenor um desfile que ia a passar, que o outro até conseguia ver e ouvir a banda a tocar...
 
Dias e semanas se passaram.
 
Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto com a água para os seus banhos, e encontrou sem vida, o homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia.
 
Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.
 
Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca.
 
Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto.
  
Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiou-se no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora, fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo!
 
O homem perguntou à enfermeira porque é que o seu falecido companheiro de quarto lhe tinha descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela.
 
A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede.
 
Há uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas.
 

Desconheço o autor

 

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