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a alma da flor

a alma da flor

(E que saia um fardo de palha!)

18.01.08 | DyDa/Flordeliz

O meu pai já fez 80 Primaveras. A minha mãe em breve 76.

São idades interessantes, mas como toda a gente sabe, idades em que tudo se torna um pouco mais frágil, como é normal.

Contudo, anormal é o facto de ter como senhoria uma pessoa que só pode ser apelidada como "grande besta"! E passo a explicar.

Posso parecer parcial por serem meus pais, mas são calmos, cordiais, simpáticos, limpos, asseados, pacatos e cumpridores das suas obrigações. Onde moram, toda a gente os adora e admira (ou quase...) pois são muito unidos e amigos um do outro.

Habitam há perto de quarenta anos numa casa que foi pertença de um outro senhorio, com quem mantinham uma relação de muito respeito e amizade extrema.

Mas a vida dá voltas. Os velhos "partem" e os novos que por cá ficam, por falta de interesse ou necessidade financeira (vivem agora em França), acabaram por vender os bens herdados.

- Algo perfeitamente normal e justo.

Agora, a pessoa ("gaja" mesmo) que comprou a habitação, era muito pobre, mesmo a raiar o limite da pobreza humana. O quotidiano familiar era feito de gritos, pancadaria e bebedeira...(uma coisa muito má, mesmo). No entanto a sorte grande não sai só quando acertamos "no loto". Por vezes bate à porta, sobretudo quando se arranja um rapaz de uma família com possibilidades, conferindo ao casamento um bom resultado financeiro.

E foi com estas mudanças que a casa que havia sido um "ninho" para os meus pais, passou a ser um posto da "PIDE", variando à feição das pancas da nova "patrona".

Elevaram-se os muros, a toda a volta da casa. Trancaram-se portões. E comprou-se um cão (que por acaso é bonito e até não tem culpinha nenhuma de quem lhe calhou em rifa). Até achava bem se estes não tivessem sido feitos com a intenção de passar a fazer a função de grades de prisão dentro da própria casa.

E aqui é que a coisa pia fino: Mete-se um "badalo comunitário", daqueles que antigamente se usavam nas quintas. Ficando de serventia a duas habitações que ficam no rés-do-chão (numa vivem os meus pais e na outra a mãe da "anormal") e à do primeiro andar onde vive a dona do pedaço. Este badalo toca no portão exterior da rua, estando por sinal, no sentido oposto às residências.

Ou seja: Quando lá vou toco a sineta e vejo surgir meia freguesia à porta, menos a minha pobre mãe, ou alguém lá de dentro, pois só se ouve o som na rua e não dentro das casas, pois ficam distantes. E com a idade deles, há muito que o ouvido deixou de ter sensibilidade para sons à distância de 20 ou 30 metros, e a céu aberto (será que nunca ouviu falar de uma coisa simples e baratinha chamada campainha eléctrica?...).

Claro que isto mexe com a estabilidade psicológica deles! Sentem-se obviamente enclausurados e controlados!...

Bem... Para evitarmos todas estas chatices e porque podem precisar de ajuda a qualquer momento, foi-nos entregue (pelos meus pais) uma chave para entrarmos sem tocar por um portão pequenino que passa pelo jardim e dá acesso directamente acesso à sala deles...pensávamos nós que o assunto estava resolvido.

Mas...

A minha mãe teve a infelicidade de cair, partir o fémur e ser operada. E como já disse, nesta idade tudo é mais frágil e complicado.

Ora...

Além da nossa presença obviamente mais frequente pois temos de cuidar dela, tem ainda apoio domiciliário, dado que todos trabalhamos e estamos em freguesias diferentes e é difícil estar lá a todo o momento.

E...

É aqui que se denota a "faltinha" que a rapariga tem!

O cão (que não tem culpa de o ser) salta facilmente do jardim dela para o dos meus pais e foge para a rua. É fácil, pois a separar ambos tem apenas uma rede muito baixa. Para quem teve a preocupação de edificar uma réplica das muralhas de Tróia, é estranho que não se tenha lembrado de subir a divisória dos jardins. Por que será?......

Por isso, ela sente-se no direito de exigir e reclamar que o portão (que volto a lembrar serve apenas a casa de meus pais) deve estar sempre fechado. E discute fervorosamente com o meu pobre pai de 80 anos, já perturbado pelo facto de a minha mãe estar doente e incapacitada na cama.

Mas será possível que a "besta" não consiga entender que o portão tem de ficar aberto para que as pessoas que vão assistir a minha mãe entrem?!... É que este só abre por dentro! E visto que não é do interesse dela subir a rede ou instalar uma fechadura que permita abrir o portão por fora, poderia ter o discernimento de prender o animal por agora...Mas porque é que a sua única vontade é a de atrapalhar quem já está frágil por natureza?

É preciso ser-se muito tapado e malvado! 

 

Imagem retirada da Internet

 

 

Oh! mentalidade tacanha!

Oh! cérebro de galinha!

Oh! falta de sensibilidade para com a dor dos outros!

Oh! vontade de...Isso mesmo de lhe acertar "umas tantas" para ver se a luz brilha em cérebro tão negro.

A mãe desta "criatura" anda encolhida de medo, não vá a "triste" se zangar.

Os vizinhos não batem à porta, nem entram para visitas não vá "a coisa"  ficar de nariz torcido.

 

Oh! "Santos" dai-me paciência...