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a alma da flor

a alma da flor

Talvez... não seja tarde para voar...talvez!

10.10.07 | DyDa/Flordeliz

Já há alguns anos que me encontro longe de jogos absurdos e surreais onde a manipulação de vontades e sentimentos eram misturados como um qualquer dado de poker .

Tocou o telefone e como sempre atendi. Alguém falava com voz arrastada e abafada. Foi com surpresa que tentei entender o que me diziam:

- Dona (…) Escute!

Não se identificou mas a voz era familiar e com esforço tentei decifrar os sons que ouvia.

- Mas o que se passa senhor (…)?

Comecei a ficar preocupada. Do outro lado alguém chorava incontornavelmente e eu não entendia o sentido daquele telefonema estranho.

Perguntei de novo:

- Afinal que se passa? Ouve-se mal e eu não estou a entender.

De novo uma voz de homem sussurrou que a minha amiga estava doente e precisava de ajuda. Fiquei atarantada, sem saber o que fazer. Tentei ganhar tempo e recuperar a calma.

Por fim respondi:

- Logo que me seja possível vou ver o que se passa! Passarei por aí!

O coração batia acelerado, o raciocínio teimava em bloquear o pensamento lógico do que deveria fazer.

O meu trabalho passou para segundo plano, os meus afazeres esqueci-os  e parti ao encontro de quem se encontrava em tamanho pranto.

Toquei na campainha. E a porta por fim abriu-se. Do outro lado de olhos e cara inchada pelo choro, encontrei a minha amiga de olhar triste e perdido pela vida que ela própria criou.

Mentiras, jogos, incertezas, mágoas, acusações, dependência e falta de transparência. Um descontrolo que tolda uma vida com a falta de bom senso, respeito pessoal e dignidade. Onde o desequilíbrio emocional vai fragilizando a saúde psíquica desta mulher transformando-a num Ser pequeno, indefeso e desprotegido.

Sei que sonhaste:

Com o Sol e a Lua,

Amor e felicidade,

Castelos,

Luzes e lantejoulas ,...

Com o teu cavaleiro.

- Recusas-te a acordar e ver o que te rodeia:

Que há dias de chuva em que o sol não brilha. Há dias em que as nuvens escondem a lua. Os castelos, por vezes, são de areia e desfazem-se com o vento. É nas histórias de encantar que os cavaleiros beijam princesas. E as lantejoulas são vidros e metais pintados que acabam por perder a cor com o tempo.

Foste atrás de um sonho em que acreditaste. Mas descuraste a realidade que te rodeia, transformando-te numa figura de decoração manipulada que vai passando pela vida sem a ver e sem se aperceber.

Acorda!...

- Toma nas tuas mãos as rédeas da vida que deixaste à deriva!

- Fecha os ouvidos às palavras gastas e vazias! Não te deixes sucumbir e manipular.

- Chora porque erraste um dia.

- Mas não chores mais porque deixaste alguém decidir o teu destino, ou porque depositaste a tua força de vontade e o teu querer noutras mãos que não as tuas.

- Acredita em ti! Transforma a tua debilidade em força.

Amiga que pena sinto que tenhas enchido a tua vida de “nada” e tenhas transformado a tua família em “náufragos” que poderiam ter sido “portos de abrigo”.

Há pessoas que não conseguem ser nem deixar alguém ser feliz. A felicidade incomoda e afecta certas pessoas.

- Dois dias são rotina dolorosa e monótona demais para ser partilhada e saboreada.

É tão doloroso redescobrir que afinal apenas, (e só) eu estive afastada… Pois tudo continua sujo e corrupto, tal como sempre foi.

À minha memória regressaram os fantasmas feios e disformes de antigamente.

- Tenho pena! Tanta pena! Pena que o teu presente e o teu futuro continuem entregues às mesmas mãos, que te anulam e te fazem viver uma mentira.

- Transformaste-te em pássaro de gaiola a quem vão depositando alimento para servir de troféu num qualquer concurso ou exposição.

Procura a luz do sol e liberta esse espírito. Sacode as asas e voa! Voa para longe. Voa até não sentires mais as asas. Mas voa definitivamente para longe das amarras e dos grilhões que te prendem a esse “nada” que se transformou na tua vida.

- Afinal, há tempo! Não o desperdices!

Que o Sol seja a Luz que ilumina o teu caminho

Que os pássaros te indiquem o caminho da liberdade

O mar te ensine a canção do amor

As flores a ternura dos gestos verdadeiros