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a alma da flor

a alma da flor

Desabafo

27.08.07 | DyDa/Flordeliz
Já muito se tem falado sobre velhice, idosos e abandono. Não é assunto novo e, de uma forma ou de outra, todos tomamos conhecimento (mais ou menos de perto) com a situação.
Fomos crianças. Crescemos. Mas a vida corre veloz e de repente, já somos velhos. Alguns conseguem manter com garra alguma mobilidade, outros não evitam a total dependência de cuidados de saúde e higiene. É destes últimos que pretendo falar um pouco, hoje.
Quando a idade vai avançando e as maleitas acabam por assolar à porta, normalmente junta-se a família se há bens a dividir (casa própria por ex.). E “aqueles” que pensam ser beneficiados esquecem-se de que o presente leva a um futuro imprevisível, movido por estas mesmas decisões.
E esta é a base dos cabos dos trabalhos vindouros.
Pois se na época o idoso ainda é útil e toma conta dos netos, vai passando a ferro a sua roupa e a dos demais, vai “alinhavando” o jantar (mesmo sendo fardo…) lá se vai aguentando, até porque dá uma ajudita.
Mas, irremediavelmente e obrigatoriamente os idosos passam a “velhos” e depois a entrevados. E, ironicamente, os até então velozes anos, passam a morosos e aborrecidos. E é a partir dessa época que deixa de ser pai, mãe, avô ou avó, para passar a usar o rótulo “incómodo e imprestável” e, dia após dia, vai ocupando um espaço no tempo diário e nocturno com quem coabita em tarefas de higiene e alimentação.
Há famílias e famílias, entenda-se. Umas unem-se em esforços e, com discernimento e boa vontade, se vão revezando e reconhecendo que quem tomou conta foi sacrificando a sua vida pessoal e merece ajuda.
Contudo, e voltando um pouco atrás, não esqueçamos que inicialmente até foi um “negócio” (que pensavam lucrativo), pois a casita até era bem boa e ficou de borla.
Os anos continuam a passar e a memória (convenientemente) apagou esse pormenor que já pouco importa. A casa, ainda pertença por direito do idoso até à sua morte, há muito deixou de ser sua, passando de proprietário a “habitante não grato”.
É justo que os familiares se unam e ajudem, “aliviando” a família acolhedora do idoso para que estes possam viver e não sejam prisioneiros na sua própria casa. – É justo que se possam divertir. Muito justo mesmo!
No entanto, não é justo usarem o idoso como castigo, mesquinhices, inveja e vingança aos restantes familiares, por não saberem usar o tempo para viver ou por não estarem de bem com a vida.
Lamento se estou a ser injusta ou cruel com alguém que se identifique. Apenas falo do que me toca, do que conheço. Cada caso é um caso!
Mas obrigar os familiares a faltar ao emprego (simplesmente porque sim !...), quando houve oportunidade de combinar a época de férias entre todos??? Quando havia a possibilidade de conciliar datas em que todos ficassem livres para as usufruir ??? Até chegar ao cúmulo de receber repentinos telefonemas de “entrada ao serviço” com hora marcada (vão sair e pronto!).
 E vemos uma hora passar… Um dia… E no final desse, afinal percebes que há algo que está mal! Sentes que afinal foi apenas um capricho ou uma maldade de alguém que acordou mal disposto e te quis castigar por algo que desconheces. No dia seguinte percebes que o mesmo aconteceu a outro teu familiar, que deixou o seu trabalho a meio e afinal… afinal… ninguém saiu de casa, e nem se deu ao trabalho de disfarçar e sair!
Acredito que sofrem por se sentirem presos. Não tenho dúvidas! É realmente muito, muito chato!
Mas teremos nós culpa?
Com excepção da dita “família de acolhimento” pagamos para que a pobre senhora tenha duas vezes por dia apoio ao domicílio, com troca de roupa (que levam para lavar), isto sete dias na semana, fraldas, e médico. O final do dia (para não ficar tanto tempo sem higiene) é responsabilidade dos filhos.
Acredito que a falar todos nos entendemos. Ainda quero acreditar que isso é possível entre pessoas ditas normais.
Mas assim, NÃO!!!
Não gosto de recados. Não gosto de meias palavras. Não gosto de ser castigada e muito menos por pecados que desconheço.
Se há algo a tratar: TRATE-SE!
Com lealdade, com sinceridade, sem jogos, sem hipocrisia. De uma vez por todas: HONESTIDADE!