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a alma da flor

a alma da flor

Onde anda o sono?

21.06.07 | DyDa/Flordeliz
Não consigo dormir, a garganta arde, a cabeça lateja, o sono está longe de me vir presentear com um descanso abençoado, que me aliviaria este mau estar em que me encontro.
Desde manhã que acordei a sentir-me doente e estranha. Nem o reboliço provocado pelo “puto da Amélia”, que verdade seja dita deve ter herdado a genica da mãe ou então as baterias são inesgotáveis nas pernas e na língua como a da progenitora, me conseguiram animar.
Fiz um esforço para me abstrair deste mau estar e me concentrar no trabalho, sendo interrompida pelos passos miudinhos e apressados deste miúdo cheio de frenética alegria e energia, que mesmo em dia “não” me foi arrancando sorrisos “amarelos” de quando em vez. Não pela má vontade, mas pelo estada de “desgraça” matinal em que me encontrava.
- Se há coisas que adoro na vida são crianças, por elas me perco e me derreto esquecendo-me do que me rodeia.
Chegou a hora de almoço com o ritual de sempre. Nariz fora da porta, piscar de olhos por falta de hábito à luz natural.
Entrar no mesmo restaurante, as mesmas pessoas, os mesmos cheiros, os mesmos sons, a mesma mesa, as mesmas piadas e até as mesmas perrices se repetem.
A reclamação diária dos mais novos: - A sopa não presta!
Fartos de um prato insípido de um creme esverdeado que até a mim me vai criando e crescendo um sentimento de rejeição.
Seguem-se as travessuras comentadas pela juventude um tanto irreverente a chegar ao limiar da má educação, mas…
E o serviço?
Sendo um atendimento do tipo caseiro, que se por um lado nos agrada por ser personalizado, outras nos desespera, no tempo gasto com batidinhas nervosas de dedos no tampo da mesa, por ver as horas a passarem rapidamente.
Até nos sugerirem uma qualquer ementa de pratos sem escolha que já conhecemos dos dias, semanas, meses que se vão repetindo até à exaustão e o estômago que se vai recusando a aceitar sem reclamação.
E de novo é o regresso ao local de trabalho, fecha-se a porta e o mundo fica lá fora. Eu e o PC horas a fio.
Da minha janela nunca sei se chove, se está sol, se está frio ou calor. Já pouco me importa!
E é quando o dia acaba que a nostalgia de uma vida enclausurada se abate tomando conta de mim.
Cá estou eu, no silêncio da noite!
Eu, quando quase todos dormem, a minha mente fica alerta, com vontade de sair à rua, procurar o Sol que não vi, o ar que não respirei, a vida que desperdicei.
Afinal em vinte e quatro horas, só tive cinco minutos de luz na viagem entre sair e chegar.
Sinto-me seca. O meu sangue não deve ter oxigénio e a electricidade estática deve estar dispersa pelo meu corpo, fazendo-me sentir alucinada e com dores de cabeça.
Queria ter coragem e correr lá para fora agora, encher os pulmões de ar, mesmo que alguém pensasse que fiquei louca.
E não estarei por acaso?