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a alma da flor

a alma da flor

Criança

01.06.07 | DyDa/Flordeliz

           

     Criança Desconhecida


             Criança desconhecida e suja brincando à minha porta,
             Não te pergunto se me trazes um recado dos símbolos.
             Acho-te graça por nunca te ter visto antes,
             E naturalmente se pudesses estar limpa eras outra criança,
             Nem aqui vinhas.
             Brinca na poeira, brinca!
             Aprecio a tua presença só com os olhos.
             Vale mais a pena ver uma cousa sempre

             pela primeira vez que conhecê-la,
             Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,
             E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar.

             O modo como esta criança está suja é diferente do modo

             como as outras estão sujas.
             Brinca! pegando numa pedra que te cabe na mão,
             Sabes que te cabe na mão.
             Qual é a filosofia que chega a uma certeza maior?
             Nenhuma, e nenhuma pode vir brincar nunca à minha porta.

           "Alberto Caeiro"