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a alma da flor

a alma da flor

O relógio e o calendário que não pára. De novo chegamos a Agosto.

01.08.10 | DyDa/Flordeliz

Cada criança nasce com todo o tempo do mundo. Sem hora. Sem pressa. Vive, pura e simplesmente.

Lentamente vai descobrindo o dia, a noite. Aos poucos vai vivendo mais tempo acordada do que a dormir. Vai encontrando. Vai aprendendo. Vai querendo.

É só na fase em que somos crianças que desejamos que os anos voem rápido. Queremos ser crescidos. Para quê?.. Não importa! Para atingirmos algo que desconhecemos mas que desejamos com força e determinação. Apenas porque sim!

E, de repente, a criança atinge os quinze anos e os dezoito. Descobre logo a seguir que afinal até foi bom ser criança e que não vale mais a pena desejar apressar o relógio que lhe marca as horas, porque isso a faz viver a correr.

Afinal, não havia tanta pressa. Afinal, o melhor seria que ele se cansasse de correr, pois a vida pode e deve ser levada bem devagar para se poder sentir prazer.

Mas...

A vida não pára! Aproximam-se os vinte e três. Pouco mais de meia dúzia e chegam os trinta. E é aí que começam os lamentos e um certo impulso de atropelar os ponteiros, empenando-os numa das primeiras horas da manhã, atrasando-os para aumentar o dia.

Pretensioso, ele continua a sua caminhada e o seu tic-tac-tic-tac, se não for na cozinha, no quarto, na sala, ou mesmo na rua ouvindo-se o badalo do campanário da igreja.

E logo chegam os quarenta. Aqui, já há muito vamos tentando trapacear a vida roubando-lhe nas horas de sono e tentando fazer as 24 horas do dia, serem isso mesmo – horas de um dia. Porque as que estavam destinadas a dormir, há muito foram ocupadas com tarefas. Não deixando tempo para fazer o mais simples e o que é mais natural – Viver!

Olhamos à volta e pensamos: A vida corre connosco ou somos nós que corremos atrás dela?

Mas…

Será que sabemos ou poderíamos abrandar?

Será que valeria a pena?

Quero acreditar que não!

Os anos vão continuar a passar e vai chegar o dia em que já não fará qualquer diferença.

Como quando nascemos, deixaremos de saber se é dia ou se é noite. Se é Inverno ou é Verão. Porque cantam os pássaros. E muito menos que horas são, porque serão todas iguais.

Teremos de novo todo o tempo do mundo, mesmo que ele se tenha há muito esgotado da nossa vida.

Nascemos e não trouxemos um cartão com a data de validade. E também não nos entregaram um livro com a manutenção, data para mudança de óleo, de substituição de filtros…

Foi sem querer que cada um de nós nasceu.

Morremos porque assim tem de ser.

Vivemos às vezes porque nos obrigam a prolongar a nossa passagem. Mas também, na maior parte das vezes, não teríamos capacidade para responder se temos vontade de partir.

E, indiferente, o relógio da vida vai caminhando em passo apressado, em passo certeiro o seu tic-tac-tic-tac.

Chegará a época em que nenhum de nós quererá saber os porquês...

Portanto, procuremos por eles enquanto a vontade prevalece e a força não desvanece.

 

Bom Domingo

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