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a alma da flor

a alma da flor

Insólitos da vida.

02.11.09 | DyDa/Flordeliz

Pum!… Ouviu-se um som de chapas a bater na rua, activando os inconscientes sinos de alerta.

Após alguns segundos de resistência, a curiosidade foi mais forte e dirigi-me à sacada da varanda do quarto e olhei para a rua tentando vislumbrar o que se tinha passado.

 

 

Era já final da tarde e a noite tinha caído. No entanto, o local estava bem iluminado, permitindo a visão de toda a área envolvente.

Um cavalheiro que entretanto me avistou e, como me visse perscrutador, dirigiu-se-me solicitamente até procurando um hipotético lesado.

 

- Foi aquela carrinha que deslizou sem condutor. Estava destravada, foi por aí abaixo e bateu lá ao fundo, não sei se somente naquele banco de pedra, se também no carro que lá está estacionado.

  

Ainda a ordenar a informação que estava a receber, chamei a minha companheira para lhe relatar o sucedido, dado que ela não se teria apercebido do estrondo que me fez sair à varanda.

O nosso quarto era no 2º andar do edifício onde nos encontrávamos. Já os dois na varanda, continuamos a escutar com atenção a descrição do senhor no exterior que tinha assistido e nos dava conta do incidente.

Foi então que de uma forma repentina e insólita, como se tivesse recuperado a consciência, ele exclamou.

- UI!! A carrinha é minha!... Ó que caralho!... A carrinha é minha!...

Desenfreado, desatou a correr rua abaixo em direcção ao local onde estava a viatura…

Olhei para a minha mulher. Ela olhou para mim. Debruçamo-nos na grade a espreitar o homem e ela não se conteve. Começou a rir desalmadamente, não sendo possível parar o riso de ânimo leve.

Rapidamente descemos à rua no sentido de dialogar com o senhor para tentar entender.

Após breve vistoria ao estado da carrinha, ao local onde ela havia embatido e ter confirmado que a mesma não tinha chegado a bater na viatura lá estacionada (porque o banco a tinha detido), meteu-se dentro do carro, ligou a ignição e aproximou-se de novo de nós.

Soou mais um ranger de chapa a ser amolgada ao libertar-se da pressão a que estava a ser sujeita. Entretanto o fecho de uma porta foi arrancado da sua posição normal ficando a bambolear.

E lá veio ele até nós, analisar os estragos (agora ainda maiores, pela precipitação com que procurou retirar a viatura da incómoda posição em que se encontrava enfaixada), descrevendo o episódio cujo início nos tinha escapado.

- Parei aqui no multibanco para levantar dinheiro, e não encontrava no bolso das calças o cartão (dizia enquanto continuava a meter as mãos nos bolsos exemplificando). Vi, realmente, um carro a deslizar suavemente rua abaixo, mas nunca pensei ser o meu!...

Apesar do esforço que fazia para deixar de rir, a minha mulher não conseguia parar, dado o insólito da situação.

- Só depois - continuou o cavalheiro - de me lembrar que tinha mudado de calças e vir para a minha carrinha é que me apercebi que ela não estava no sítio. Era a minha!

Convirá reafirmar que, apesar de ser de noite, o local era iluminado e era perfeitamente visível o corpo e a cor do veículo. Só se a nossa mente não “estiver cá”. E a dele andava a tentar descortinar onde tinha deixado o cartão, impedindo-o de ver o seu próprio veículo a deslizar rua abaixo, sem lhe deitar a mão.

 

Maldito cartão! Não só não lhe deu dinheiro como ainda o meteu em despesas!...   

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