a alma da flor
11
Mai 09

Marta e Matilde eram as gémeas filhas, da minha tia Cassilda. Nasceram prematuras e na época foi um acto quase milagroso “safarem-se”, contava a família sempre que se falava no pouco peso com que nasceram (pouco mais de 500 gramas). Apesar de serem um pouco mais novas que eu, sempre convivemos juntas, em especial, na época em que todas praticávamos o mesmo desporto - atletismo. E se laços familiares nos uniam, também os de partilha e companheirismo nos faziam ainda mais conviver.

 

Continuaram pela vida fora com um ar frágil e delicado, mas a correr eram velozes, sendo justamente a mais franzina quem detinha a perna mais ligeira, deixando nas suas costas raparigas mais robustas.
Assim fomos crescendo, alternando momentos de alegria e euforia, com algumas prestações menos felizes.
Talvez por ser a mais velha, lá chegou a minha hora de unir “os trapinhos” e, como primas e amigas elas faziam parte da lista de convidados da boda.
Como o dinheiro não sobejava, mas não querendo deixar a data sem presente, uniram as poupanças e ofereceram-me um “adorno”: uma Senhora com um menino ao colo.
Nunca fui muito ligada a figuras religiosas. Mas uma mãe com um filho é uma imagem cheia de ternura. E com o gesto das minhas primas a prenda ganhou um carinho especial. Por isso, ainda preservo a peça, nunca me tendo passado pela ideia desfazer-me dela.
Certo dia achei que o pó lhe estava a denegrir a imagem e achei que um banho lhe alindaria de novo as cores. Do pensamento à acção, logo meti mãos à obra.
Fiz? Não. Tentei! Ao pegar nas mãos da Senhora fiquei com elas entre as minhas e o menino saltou-lhe do regaço, rolando até junto dos meus pés (pobre criança). Por momentos fiquei com um ar aparvalhado a pensar que mal lhe havia eu feito.
Entendi! Eu, nada! Mas a “Maria limpeza”, sim! Essa, tinha feito patifaria e deixou a Senhora direitinha à espera que se desse o milagre da soldadura. Nada que um pouco de super-cola não lhe resolvesse a situação (com algumas mazelas), devolvendo as mãos ao acto de oração, rodeadas agora com um terço e o menino de novo ao colinho.
Minha pobre Senhora, que nem tu escapas à voracidade das limpezas.

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 18:47

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