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a alma da flor

a alma da flor

Conversas à hora de almoço!

07.01.09 | DyDa/Flordeliz

Imagem de: Sérgio Pinheiro (http://olhares.aeiou.pt/birra_foto294414.html)

 

A voz do locutor(a) fazia-se ouvir ao fundo da sala:
“Quinze países da Europa estão a sofrer as consequências do braço de ferro entre a Rússia e a Ucrânia sobre o preço e a distribuição do gás natural”…

 Alguém comentou a notícia na mesa onde nos encontrávamos à hora de almoço e, por momentos, cada um ia metendo a sua colherada sobre o assunto: do que pensávamos ter entendido, e das consequências deste imbróglio-impasse que dura há algum tempo e se tem agravado nestes últimos dias.

 

De olhos e ouvidos alertas a Joka, o elemento mais novo da mesa, do alto dos seus onze anos, cheia de curiosidade, quis entender e começou a questionar:
- Pai se não houver gás como aquecemos a nossa casa?
Sorrimos ao ver a sua cara aflita e como adultos mauzinhos resolvemos esticar um pouco o assunto para ver como reagia.
- Não te preocupes! Antigamente as casas eram aquecidas a lenha e ninguém morreu de frio. Tu tens um fogão a lenha em casa, não tens?
 - Mas nós não temos lenha em casa!
- O teu pai arranja!
- Como? Nós não temos!
- Ora, vai ao monte, como antigamente. Há por aí muita pinha e muita lenha pelo chão!
A ficar irritada com o rumo que a conversa estava a levar ela já respondia com a voz um pouco alterada:
- O meu pai não pode, ele não tem tempo! Trabalha e chega a casa tarde e ainda vai buscar a minha irmã ao treino e só chega às nove para jantar!
Não desmanchamos com a brincadeira e continuamos:
- Ora bem, se não tiver tempo à noite, tem que se levantar mais cedo de manhã!
Já a catraia parecia querer arrancar os cabelos ao imaginar o pai (O SEU PAI!) no monte à lenha. Isso não lhe entrava na cabecita e arranjava nova desculpa.
- Não pode, ele sai cedo para o trabalho!
- Levanta-se mais cedo ainda, ou então, vai ter de ser ao fim-de-semana! (continuávamos nós a arreliar…)
Até que o pai ao ver que a filhota não aceitava a ideia e o defendia do trabalho extra, resolveu colocar um ponto final na nossa brincadeira.
- Pateta! Não sabes que o gás lá em casa não é natural? Cá não há gás natural!
A miúda respirou de alívio fazendo cara de amuo.
E o pai em jeito de desabafo comentou connosco:
- Ainda me lembro de em criança (da idade da Joka), pelo Verão, antes de ir para a praia tinha de ir ao campo cortar um carro de pendão para os animais. E quando me despia ao sol o corpo estava todo marcado pelos cortes das folhas.
Pois é: E como convencíamos hoje a tua (nossos filhos) filha a fazer o mesmo? Dificíl!
Esperemos que apanhar lenha continue a ser um acto de alegria para acender a lareira pelo Natal!...

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