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a alma da flor

a alma da flor

O recanto da mulher e os pássaros

07.10.08 | DyDa/Flordeliz

 

Hora de refeição para a mulher de feições marcadas pelo tempo e para as aves que rodopiavam num ritual que me pareceu reconhecerem como familiar.
As Muralhas Fernandinas do Porto serviam de abrigo ao Sol e aos olhares dos que por ali passavam e admiravam a paisagem sobre o Douro.
Dos vários sacos espalhados em seu redor, ia retirando colheradas de arroz que ora metia à boca, ora atirava ao longe aos pombos e gaivotas que tinham sido convidados para o banquete.
Fiquei observando, tentando adivinhar através dos seus gestos determinados e voluntariosos porque se encontrava só. Aparentava viver na rua. Será que na sua idade, se encontrava apenas na companhia da bicharada?
Não me aproximei. Não me pareceu que apreciasse a minha companhia.
Naquele momento, pela imagem, pareceu-me que era ali que lhe apetecia estar: Só!
A mim, apeteceu-me ser pássaro para que ela me prestasse atenção. Para poder olhar nos seus olhos e tentar entender o porquê. Se é que existe um porquê, ou se é uma opção para viver em liberdade como os pombos e as gaivotas...
Ficarei sem saber pois não perguntei. Mas, possivelmente, nunca me daria a resposta. Talvez os anos tenham passado e já nem se recorde dos porquês que a levaram ao jardim Arnaldo Gama.

 

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