a alma da flor
25
Ago 15

 

Eramos três, qual concerto de cordas afinado. Um tocava para aqui e os outros, tocavam sempre para o mesmo lado. Se por acaso uma nota fugia ou corda se partia, nem assim, se notava que o caldo podia ficar entornado.

 

Eramos…

 

Este tempo verbal que custa a aceitar e a engolir e me deixa atormentada.

Nada é permanente. Muito menos a cumplicidade. E a verdade? Essa, começa a ter defeitos, tal qual os jeitos que se dão e que, passam a meias verdades.

Saudades? Tenho. Do que construímos durante uma vida a tocar em conjunto, e hoje, vejo desagregar.

A união. Essa relação que nos fazia fortes. Impenetráveis. Julgava eu.

Ficamos uma espécie de conjunto. Dois, três, às vezes somos quatro. Não. Não é verdade. Somos três e mais um. Nunca chegaremos a quarteto. Ficará para sempre um que está ali, mas pode logo ir para outro lado. Quase como num espectáculo em que entra um artista, aquele, é um convidado.

- Acredita, tenho tentado.

Tentei, vou tentando ainda, e sei, que tentas também. Mas a afinação, teima em ficar descompassada. As pautas estão desalinhadas e tudo é feito de corre-corre, sem tempo ou espaço e falta a nossa harmonia. Ou era minha fantasia?  

Querença? Existe sim, ainda. A afeição natural, aquela que se toma, pega e despega sem pensar ou aquela que se dá e recebe sem se notar? Essa, vai perdendo graça e espaço. Não há tempo. Não há, não!

O nosso, sinto-o a esvaziar-se, está no fim e custa aceitar. Outros, tomaram o palco, se apropriaram e se vão posicionando. Ligam-se luzes, batem-se palmas, ouvem-se vivas. E quando erguemos a cabeça? Não. Não foram para nós. Estamos sós.

- É natural, eu sei que é.

Já te disse o quanto me aborrece o teu engano, o faz de conta de que é natural?

- Já disse sim. Sei que o digo muitas vezes. E sei, que sou culpada por sentir nos teus afagos as infrutíferas tentativas de me fazeres acreditar que farei parte da tua cena.

Foste a peça mais importante que um dia adquiri. Única. Perder-te faz-me sentir vazia e desalinhada.

Mas um dia, passa. Passa, mas hoje dói. Um dia esquecerei. Hoje não posso.

Sei que em outro dia tentarei lembrar e já não saberei por onde começar. Nesse dia, já não mais sentirei que me fizeste falta.

Estou triste. E sinto-me ainda mais triste por sentir a tristeza de o sentir. Gostava que me fosses indiferente. Assim pensei.

Hoje ao ver um filme chorei por nós.

Também eu te dei asas e tu voaste. E eu quero que voes. Foi por isso que tas dei e delas cuidei. Nunca tas tentarei cortar. Quero-te por inteiro. Não sei amar-te a meias.

Por isso te peço não me mintas, não me enganes. Não tentes dar-te pela metade. Não me chega. Dá-me pouco, mas que seja tudo com verdade.

 

29
Nov 11

Como se vão apercebendo as minhas fotos são de momentos do dia-a-dia. Sem premeditação ou grande elaboração de cenários ou modelos.

Quando algo me prende os sentidos e a máquina está à mão - sai o clic.

 

No caso desta fotografia despertou-me o lago, o barco em movimento, a envolvência das árvores pintadas de Outono e a beleza das cores (rosa da menina, azul do menino), mas principalmente a destreza e cumplicidade na condução da pequena embarcação, ora sendo a menina nos remos, ora o menino, numa partilha que me pareceu familiar.

 

Estava tão distraída a acompanhar a cena que não pensei a quem pertenciam as "crias" ou mesmo se o "dono" estaria por perto…

 

Tenho uma norma que tento seguir na escolha das fotos na hora de as publicar – primeiro eu gostar - não expor em demasia a identidade se há pessoas que não conheço (tenho ainda mais cuidado, se tratando, de crianças).

 

Óbvio que os pais não sabiam quem sou e muito menos qual o intuito a que se destinavam as fotos e, como tal, não gostaram da minha audácia - nem um pouquinho.

E foi por isso que o pai dos miúdos, parecendo ser uma pessoa atenta e cuidadosa, se aproximou e, com educação, me alertou e demonstrou o seu desagrado.

 

E se na altura fiquei qual criança a quem lhe retiram um doce da boca, compreendi que o senhor tinha toda a razão e direito de o demonstrar.

Como teve oportunidade de expressar: Nunca sabemos qual o fim a que se destinam as fotos e cada vez mais há que proteger e ter cuidado, basta ver o que se passa com a internet. Devemos proteger cada vez mais os nossos filhos. Até porque não sabemos quem está do “outro lado”.

 

Depois de ver as imagens desse dia, fotos que tirei no Bom Jesus em Braga, escolhi ,entre outras, esta porque como dizia a Manu “parece uma cena de um filme de aventuras", para além de que não retirava a privacidade a nenhuma das crianças, e porque pessoalmente gostei da imagem para ilustrar as palavras que tinha escolhido.

Foi com alguma curiosidade que vi o comentário do Jorge:fui eu o único que reparou que há algo de muito errado na fotografia?”.

 

Lá fui ver de novo se a foto estava torta, manchada, ou algo que me tivesse escapado. Bem perguntei o que pretendia dizer com o comentário, mas não fui feliz - fiquei sem resposta!

 

É por isso que me lembrei de vos pedir ajuda.

 

O que há de errado nesta foto?

 

Podem acabar o filme de aventura da Manu.

Ou simplesmente descobrir o erro que o Jorge encontrou na foto ou no enredo da mesma.

 

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Não lamentes.Não se perdeu grande coisa.Agora muit...
Lamento que tenhas este blogue abandonado...
É muito mais frequente do que parece este tipo de ...
Olá, bem-vinda.Óbvio que temos de ser cuidadosos. ...
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Amiga, será que se desagregou mesmo???Desejo que a...
Momentos...Agarremos os que são bons, os outros......
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