a alma da flor
28
Ago 15

 

"Casal esquece filha de três anos em área de serviço

Família só deu pela falta da criança 150 quilómetros depois."

 

Foi à mais de 40 anos e no meu caso só passaram 2 kms. 2 kms para o lado de casa e outros 2 kms para regressar a pé ao mesmo local. Quanto tempo? Menos de meia hora...

 

Na época, a família tinha carro mas não uma garagem para o guardar. Era um luxo e ficava trancado a sete chaves. Impensável, deixar que, ficasse ao relento na rua.

Bem, neste dia de que vos falo, tinha anoitecido no regresso de um passeio familiar. O pai conduzia, a mãe vinha no banco ao seu lado e nós os três, seguíamos no banco de trás. Do meu lado esquerdo tinha o mano mais velho, do meu lado direito o mano do meio e eu, pequerrucha, no aconchego dos dois, bem no meio.

Ali me encontrava, segura e amparada pelos dois. Como devem imaginar, não havia cinto de segurança e muito menos cadeirinha de criança. À chegada, o pai estacionou o carro na garagem que tinha alugado para o efeito. Pouco espaçosa e ainda menos iluminada. Cada um se apeou como pode para o seu lado. Trancaram as portas do carro, bateram a porta da garagem e meteram pés ao caminho em direcção a casa. Aos poucos foram estranhando o meu silêncio e tentaram encontrar a minha mão no escuro. Chamaram o meu nome e como não respondia, descobriram que, afinal, não me encontrava com eles.

Aflitos, conversaram sobre o que me poderia ter distraído àquela hora tardia, olharam uns para os outros e acabaram por descobrir o motivo de eu não os acompanhar. Afinal eu, não tinha saído como eles do carro.

Não poderia. Quando os manos saíram do banco de trás, cada um para o seu lado, pensaram que eu os tinha acompanhado e saído de um ou outro lado e os meus pais pensaram exactamente o mesmo que eles, que os seguia, como era normal acontecer. Enquanto eu, permaneci tranquilamente no banco de trás, ferrada no sono.

Acordei sobressaltada. Eles muito aliviados e lá seguimos todos para casa, rumo às nossas camas.

- Deixaram-me sozinha dentro de um carro trancado. Numa garagem às escuras. Não acordei. E se tivesse acordado…nem é bom pensar, seria um pesadelo.

 

Mas isto é negligência. Será?

Não aconteceu nada de mal. Poderia? Talvez?! Mas não aconteceu. Deveriam ser castigados por isso?

Eu, não fui abandonada. Fui esquecida. Foi descuido. Acontece. Não devia, mas aconteceu.

 

Lembrei-me desta história, porque 150 kms em auto-estrada é pouco mais que o tempo gasto nos 2 kms a pé, passa muito rápido.

A criança que ficou na área de serviço, não foi abandonada, pelo que li. Esqueceram-se de confirmar se seguia no carro junto dos restantes elementos. Confiaram uns nos outros. Regressaram logo que se aperceberam do falhanço. Preocuparam-se. Penalizaram-se...

Precisavam ser crucificados? Não é para nós, que estamos de fora suficiente a aflição desta família e a vergonha pública que passaram com a notícia?

 

Quem nunca falhou?

 

Detesto aqueles comentários parvos que circulam por aí, como se todos fossem pais e educadores perfeitos. Somos humanos e falhamos. Bom era que não, mas falhamos.

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 00:19
Totalmente de acordo. Não sou mãe, mas entendo que seja possível acontecer um mal entendido ou uma distração que leve a estes casos... Já se esqueceram de me ir buscar à escola, estava eu no primeiro ou segundo ano da primária. A minha mãe pensava que o meu pai iria, o meu pai estava a ter uma tarde ocupada e não deu pelo tempo passar... A verdade é que não morri. :p acabei por ir com os meus colegas mais velhos para casa de um vizinho e até tive uma tarde de jogos divertida.

E sei de muitos outros relatos do género, daí não me espantar assim tanto. Claro que temos que ser cuidadosos e responsáveis com os seres frágeis que tivermos ao nosso cuidado, mas que pode acontecer pode. Sobretudo se julgarem que a criança vai em silêncio porque está a dormir...
BataeBatom a 28 de Agosto de 2015 às 06:43
Olá, bem-vinda.

Óbvio que temos de ser cuidadosos. Mas erramos e os acidentes acontecem.
O que aborrrece é assistir à apresentação deste tipo de notícias, e principalmente os comentários às mesmas.
Fala-se e acusa-se, gratuitamente. Há quem se coloque numa espécie de redoma de vidro ou então parecem viver num patamar onde assistem à vida a passar de camarote.

As crianças são imprevisiveis. Ou não fossem crianças.

Tenho um filho. Já falhei. Já me esqueci do meu filho na paragem do autocarro. Esqueci-me sem me esquecer.
Explico: Na hora de sair, fiquei presa numa reunião e por mais que tentasse explicar que o meu filho estava à minha espera, não me liberaram para sair. Sabia que estava bem, era na escola, havia autocarro e ele podia ter seguido para casa, mas ficou lá à espera, porque foi a indicação que lhe dei. Ele podia ter seguido para casa, para o quentinho, para brincar. Penalizo-me ainda hoje. Ele, brinca com a situação.
Coisas...
A vida não é uma linha reta.

BFDS

DyDa/Flordeliz a 28 de Agosto de 2015 às 11:22
Nunca ninguém pode dizer que não lhe acontece.
Todos erramos e por mais cuidado que tenhamos pode acontecer.
Lembro de um episódio que me aconteceu, não com crianças, mas com idosos. Há uns anos acompanhei vários idosos durante uma semana de ferias. Ia eu com os meus e outra colega de outro Lar com os dela. Certo dia tínhamos um passeio marcado e quando o autocarro chegou os velhotes foram contados antes de entrarem no nele e depois de lá estarem. Tanto eu como a minha colega contámos varias vezes. Arrancamos e passado pouco tempo ela diz-me "não sei do sr. Joaquim". Ainda pensámos que o homem estivesse na casa de banho do centro comercial. Não estava lá nem em lado nenhum e ninguém o tinha visto. Bem, ela em pânico afinal era um utente da responsabilidade dela, mas ainda assim eu sentia-me responsável também. afinal eu também tinha confirmado o numero de utentes.
Num momento lembrei-me em telefonar para a Instituição onde estávamos instalados. Na minha cabeça era impossível ele estar lá, mas pelo sim pelo não achei que devíamos telefonar.
E não que o velhote estava refastelado no sofá?
Ele não queria ir e nós tínhamos insistido e aproveitou que estava sentado no primeiro banco para num momento de distração sair.
Foi um susto grande e uma lição, mas ainda assim não posso dizer que não volta a acontecer.
marrocoseodestino a 28 de Agosto de 2015 às 08:52
Pois, os acidentes acontecem.
BFDS
DyDa/Flordeliz a 28 de Agosto de 2015 às 11:08
É muito mais frequente do que parece este tipo de esquecimentos, distracções, faltas de atenção, seja lá o que se lhe queira chamar (porque o diabo tece-as). A muitos de nós já aconteceram episódios semelhantes e para castigo, já basta o desespero, a aflição, a angústia sentida, mesmo que o episódio acabe em bem.

Com as crianças são precisos mil olhares. Em fracções de segundos, tudo pode acontecer.

Bom é quando felizmente tudo acaba em bem.

seila a 17 de Setembro de 2015 às 14:26
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