a alma da flor
31
Jul 12

Dias longos, noites quentes sem hora para adormecer ou acordar, caminhadas, mergulhos, esquecer que os dias têm data, contatos, controlo ou obrigação de prestar esclarecimento, informação ou estar disponível – a isto eu chamo Verão – Férias!

 

É fácil descobrir que gosto de mar, arribas, rochedos, areia molhada e cheiro a maresia.

 

Da minha gente (pouca), do meu espaço, do meu tempo, da minha liberdade e da minha orientação sem tarefa agendada ou programa por conveniência, muito menos por imposição.

 

Gosto do almoço com uma salada simples e bem apresentada, na esplanada de um bar que pode ficar junto ao mar, ao rio, ou com vista sobre a serra. Da tentação consentida de uma fatia de bolo com recheio ou um gelado adornado num jantar serôdio, rematado no saborear de uma chávena de café cremoso servido com cortesia. E assim, dou o dia por bem usufruído.

 

Mas gostos não se discutem, nem todos pensam como eu.

 

Madalena gosta de acordar cedo para confecionar o farnel. De seguida, chama o seu Manel que atira com duas mãos cheias de água para acordar. Conduz remelado trinta quilómetros que os separa da praia onde começa a peripécia de estacionar a chafarrica. E depois lá vai, ainda meio enfezado, carregando: o chapéu-de-sol, o tapa vento, as cadeiras de praia, o saco com a marmita, o lanche para a manhã, para a tarde, o garrafão. Enquanto ela, segura o chapéu, o pareô e leva o saco com as demais tralhas.

 

Todos os dias, quase no mesmo espaço de areal, fazendo frio ou calor, lá estendem a toalha – cobertor - à espera do sol, em que tem dias joga às escondidas ou se mostra arrependido e tarda em aparecer, adiando-lhes o prazer de se sentirem como tostas com o queijo a derreter.

 

Assim são quinze dias consecutivos, isto porque não podem ser trinta – o patrão não dá autorização!

 

No fim da quinzena Lena gosta de desfilar no seu vestido branco, expondo o decote, orgulhosa da sua pele dourada, quase enegrecida, exibida como se fosse um troféu. Para ela foi mais uma vitória. Para ele cumprir o compromisso (um serviço). Aguentou mais um ano o sacrifício de esticar o pernil junto ao mar enfrentando com valentia os raios de sol ou o vento que chegou tantas vezes forte, ou não fosse ele do norte, e desabafando algumas vezes um pouco alto demais:

 – Qual foi a maldade, mereço eu tal sorte?!

 

Mas é pela tardinha, antes de regressar à estrada, enquanto saboreiam com gosto cada um o seu gelado, que ele nota encantado como a Lena está feliz. É vê-la de gelado a derreter e a fazê-lo desaparecer com gula e com prazer, enquanto o dele se desfaz mais de deleite porque se esquece e se perde no olhar cor de mar da companheira que traz o sorriso salgado, mas rasgado como se voltasse a ser gaiata ou mesmo petiz.

 

 

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