a alma da flor
30
Out 10

O negativismo, a quase inexistência de objectivos, e a crise, persegue-nos como uma praga.

A comunicação social presenteia-nos diariamente com mais e mais catástrofes. Umas de origem natural. Outras são “naturalmente” previsíveis e há já muito tempo catalogadas e anunciadas.

São as mesmas medidas pronunciadas até à exaustão que, sendo ou não necessárias, não nos provocam “ponta” de alívio ou nos fazem “saltitar” por mexerem em demasia com o nosso bolso.

Continuamos com o jogo viciado do gato e do rato entre governo e oposição que, por ser repetitivo, se torna enfadonho. Todos temos consciência de como é insustentável para o país este ping-pong de jogadores, na verdadeira asserção da palavra, já cansados e viciados de tanto tentarem adivinhar de que lado recai o ponto no final da disputa. 

Um presidente que faz um anúncio de recandidatura, com o habitual “discurso nulo”, de uma cassete fora de moda, gasta e riscada pela lenga-lenga do “não posso nem devo falar” – “Sou o presidente de todos os portugueses“ – quando ficamos com a sensação de que não fala porque nada tem a acrescentar que seja novidade, ou mais-valia para a nossa estabilidade emocional.

Ou seja: Propõe-se a um cargo mas continua o flagelo sem que ninguém entenda o que nos vai oferecer que já não tenhamos visto antes.

Os empregos são, simultaneamente, menos e mais: menos em número e mais em precariedade. A falta de alternativas frustra as expectativas dos jovens que acumulam passagens nas portas do Centro de Emprego.

E o olhar? … Sim! O olhar e a expressão penosa dos transeuntes “novos-velhos” carregados de desolação e, pior de tudo, já alguma resignação à mistura.

Os parques e esplanadas das nossas cidades estão lotados de gente de olhar perdido. Outrora eram ocupados alegremente por avós e netos. Hoje são pelos que foram considerados “sem préstimo”, substituíveis no seu posto de trabalho e dispensados como incapazes. Muitos ainda com idade e força mais que suficiente para não serem mais um peso “no tal orçamento” ou uma carga de trabalhos.

Problemas de auto-estima, vergonha e, o mais difícil ainda, aprender a viver como “domésticos”, sejam homens ou mulheres, são os principais obstáculos que estas pessoas enfrentam ao serem precariamente marginalizados.

Por opção? Não! Por obrigação!

Vêem-se a braços com a extrema dificuldade de governar os parcos orçamentos familiares, muitas delas com crianças ainda em idade escolar, fazendo involuntariamente parte de um problema que afecta o país inteiro e do qual não são directamente responsáveis.

No horizonte, as nuvens continuam carregadas, e muito cinzentas. Não se vislumbram os desejados “ventos da bonança” e a esperança, essa, aos poucos vai definhando. As horas custam a passar sem uma ocupação. Sem se sentirem produtivos e úteis. A idade é que vai correndo veloz. Pois essa não pára, negando-lhes a cada dia que passa a capacidade de ir à luta e virar a situação.

Pedem-nos “pensamentos positivos”.

Mas, onde se pode adquirir “pensamentos positivos”?

Quem vai encontrar ou descobrir a receita e os ingredientes na medida certa, para que a patente do sucesso seja registada e possa ser colocada em local de fácil acesso a todos, animando o nosso povo e as nossas gentes “para que se volte a acreditar” que “ainda é possívele ainda vale a pena investir e sonhar em Portugal?!... 

Somos um país de velhos (idosos), de velhos (novos demais) e ainda de jovens (velhos) já acomodados e sem iniciativa.

 

Negativa, eu?!... Só se não olhasse à minha volta!... Eu sou é realista!

 

Mas preciso e quero continuar a acreditar que ainda é possível viver neste país pequeno mas de encantos tamanhos. Que há gente boa. E que essa gente é em maior número que a que de nada nos serve e só se preocupa em delapidar ainda mais o que já foi imensamente rapinado. Que nem toda a gente é corrupta. Nem todos são criminosos. E que política pode ser feita por gente a sério e com consciência (de ambos os lados da barricada).

 

Bem, pensando melhor… talvez esteja mesmo a sonhar.

30
Out 10

 

 

Era proibido gravar ou fotografar a peça - e eu não o fiz.

Tirei apenas esta foto do cenário antes do início da mesma.

 

 

A minha amiga Sonhadora ofereceu-me dois bilhetes para assistir à peça de teatro «Uma História de Dois», em cena no pequeno auditório do Teatro Rivoli no Porto.

Foi a primeira vez que vi Teresa Guilherme como actriz. Nesta peça interpreta o papel de uma mulher popular que trabalha num supermercado, contracenando com o actor Guilherme Filipe, o director de turma do seu filho.

A sala é um pequeno anfiteatro o que proporciona uma ligação de cumplicidade muito próxima com o público.

Retrata a nossa sociedade, os seus diferentes níveis de cultura e valências, mas nem por isso com menores fragilidades ou problemas.

Foi um serão bem passado.

Quanto aos papéis, o de Guilherme Filipe é mais teatralizado, cabendo-lhe grande parte do diálogo. Já Teresa Guilherme, com deixas simples, é rico em expressões e gestos populares proporcionando momentos hilariantes apesar de se tratar de assuntos sérios.

- Foi uma agradável surpresa!

 

Obrigada

24
Out 10

Habitualmente ando de sorriso estampado no rosto. Há naturalmente excepções, que não passam pela segunda-feira, para mim um dia como outro qualquer, ou não passasse eu a casa dos cinquenta, logo fora daquelas jogadas do fim-de-semana que fazia na década dos vinte.

Claro que não são as vinte e quatro horas do dia, nem tão pouco durante as cerca de dezoito que passo fora da cama, mas que sou homem de sorriso fácil, isso sou.

É evidente que, algumas vezes, o sorriso é amarelo. Outras vezes é negro. Outras de outra cor, e até ainda há vezes que é sem cor.

O sorriso amarelo é, por norma, utilizado nas repartições públicas, não vá o diabo “tecê-las” e um “sorrisozinho” para o funcionário poderá sempre fazer jeito a qualquer momento. Mesmo nesses, o amarelo pode ter várias tonalidades, consoante o “adversário” que esteja do lado de lá.

Mas vamos lá à “estória” que tenho para contar.

Um destes dias, quando me dirigi à Repartição de Finanças para pagar os impostos do mês, ia com o meu habitué sorriso amarelo, embora com um tom suave. Primeiro porque não ia pagar os meus impostos o que, convenhamos, não custa tanto quanto os nossos, e depois porque até é um local onde costumo ser bem atendido. Bom, mas era repartição pública, logo tinha de levar um sorriso.

Mal acabei de entrar …o sorriso alterou-se. Com franqueza não sei para que cor, mas amarelo, não ficou de certeza. E porquê?!... Pois tão-somente porque não havia qualquer contribuinte na secção. Ou seja, havia total disponibilidade de funcionários para me atenderem.

Convirá referir que, para além do transporte do sorriso, também sou bom a conversar, e um momento daqueles merecia um comentário, de que não me fiz rogado, dizendo não muito alto mas em bom som:

- Há horas felizes!

Efectivamente, não me lembro de ao longo de uma vida de uns bons anos, me ter acontecido algo semelhante.

Acontece que, do outro lado, também há seres que nos surpreendem, comentando ou não as nossas opiniões, e reagindo muitas vezes a preceito, e até com graça. Pois bem, foi isso que me aconteceu.

O funcionário a que me dirigi, já um velho conhecido, não deixou de ripostar:

- Realmente, há horas... e horas…

Perante a minha perplexidade, continuou.

 

Há um bom par de anos, estava ele a assistir a um jogo de futebol numa vila do interior, quando assistiu a uma peripécia deveras hilariante. Decorria o jogo, e como sempre acontecia, junto à linha lateral (ainda tal era possível nessa altura), uma figura típica da terra, cauteleiro, que quase sempre alheio ao jogo, ia apregoando o seu produto, chamando de uma forma sistemática a atenção do público (se é que o ouviam, interessados como estavam no jogo de futebol) - “há horas felizes!”.

No calor do jogo, uma disputa de bola junto à lateral, é rechaçada por um defensor com todo o frenesim para dessa forma cortar o mal pela raiz.

O nosso homem, rotinado de tantas caminhadas naquele espaço de terreno, nem se apercebeu que o mal que o defensor cortara pela raiz, lhe vinha cair em cima, mais concretamente em plena face, esbardalhando-lhe de imediato os óculos, daqueles grossos e verdes, que mais pareciam vidro de garrafas, atirando-o ao “tapete” logo de seguida…

Mas o nosso homem, como bom beirão, não se deixou abater. Num ápice pôs-se de pé, e enfrentando a assistência que agora já ria à gargalhada alheada do jogo, continuou a lenga-lenga:

- “Há horas felizes!...”

Só que desta vez, à surdina, completou em voz mais suave:

- ”…e horas do caralho!...” - caindo redondo no chão.

Não deixei de soltar, também eu, a minha risada.

O senhor, segundo soube, acabou por ser conduzido ao hospital em estado de coma, mas ao fim de algumas horas já estava recuperado desse mal, mas não dos óculos nem do inchaço provocado pelo impacto da bola.     

 

Rui Tomás

 

Espero que sorriam, eu... ainda continuo de olhar a brilhar depois de ler esta quase anedota e as partidas que a vida nos prega.

Votos de boa semana.

Tenho pouco jeito para trabalhar a bonecada...
Mas é assim que os vejo:
A trombuda
O Papagaio sorridente
O cara de quem comeu e não gostou
18
Out 10

            ...os bonecos são tão fofos!

 

Zézinho e Mariazinha partilham o lanche no recreio:

- Puxa pá... outra vez panadinhos de galinha! Como galinha a toda a hora!

- Sempre galinha, sempre galinha... Vê lá tu que até já estou a criar penugem!

 O Zézinho, curioso, pede à Mariazinha que lhe mostre.

 A Mariazinha levanta a saia e...

 - Ai... tás! tás! Mariazinha! Sabes uma coisa? A minha mãe também tem a mania da galinha...

- Eu também já estou a criar uma penugem! 

- Tás? Ora mostra lá, para ver se é como a  minha...

 O Zézinho baixa as calças e...

- Ai Zézinho... Tu tás pior que eu! Já tens pescoço e moelas!

Sissy não resisti ao Zézinho e a Mariazinha. Ela fez-me lembrar a KIKI.

publicado por DyDa/Flordeliz às 23:01
11
Out 10

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 20:00
11
Out 10

 

se tens todas as respostas

porque vens falar comigo

se tens tantas certezas

porque me questionas

 

se já decidiste o que fazer

porque vens à minha procura 

 

segue o teu caminho, aquele que está traçado

 

eu nada te pedi

e o pouco que tenho para dar

não mo faças desperdiçar

quando apenas queres escutar

o eco das tuas palavras

 

eu estava só

não precisava ficar

só e prisioneira

de palavras em  forma de arremesso

que me deixam magoada e triste

 

vai passar eu sei, pena que demore sempre mais tempo a cicatrizar que a ferir

 

há dias assim!...

 

em que o sol

se esconde

e nos deixa cegos

por dentro

publicado por DyDa/Flordeliz às 13:08
04
Out 10

 

 

Tal como o girassol

que balança com o vento  

Cumprimentamos quem passsa

mostramos colorido por fora

Mas...

De que cor vai vestido o pensamento?

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 16:25
02
Out 10

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 00:46
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