a alma da flor
25
Fev 10

Lá fora, a chuva fustiga os telhados, encharcando a já castigada e ensopada terra, enquanto o vento uiva de raiva parecendo padecer de fortes dores de indigestão.

É tarde. Hora de repousar o corpo e deixar descansar o espírito. Creio que toda a aldeia já há muito se deixou embalar e repousar, retemperando as forças ao som da chuva deste Inverno que teima em se alongar.
O meu sono, esse, espantou-se e começaram a surgir os porquês a perguntas incompletas, a retalhos de momentos. Deixei-me perder em recordações que me levaram até parte incerta.
Momentos que vivi. Partes que interrompi. Coragem que faltou. Projectos que guardei em baús de memória trancados com chave que há muito joguei para longe resistindo à tentação de a encontrar.
De fora, ainda me chegam os queixumes do vento. Ignoro-os. Aguçada pela curiosidade da mente, despertei da solidão, atravessei o buraco da fechadura num esforço de encontrar o que ignoro, mas que, por um momento me apeteceu reacender. Recuo no tempo, no espaço, permaneço ali, a observar. Forço um olhar imaginário espiando através do pequeno e negro espaço que faz de ligação entre o ontem e o hoje.
Mas de novo chegam até mim fortes rugidos de aviso. Desta vez o clarão de um trovão trespassa as portadas e fazem-me despertar até ao lugar onde estou, recordando que é hora de deixar cair a cortina e também embalar no sono até o dia clarear.
Lembro-me de ter sonhado, que voei com o vento, que molhei os cabelos, que estava frio. Lembro-me de chorar à procura de abrigo, um aconchego…
Acordei por fim, era manhã, o dia tinha raiado.
A chuva, essa, continua a fustigar as vidraças enquanto o relógio lembra a obrigação de deixar a cama de lençóis quentes e aconchegadinhos e que vivemos de presente.

E que, o passado, é apenas para ser recordado em momentos de insónia.

publicado por DyDa/Flordeliz às 12:32
17
Fev 10

Não se nota por fora, mas nós sabemos como te sentes cansadito. O ano foi complicado e os últimos meses então… não foram mesmo nada fáceis.
Já os últimos dias… embora ruins, acabaram por ser de alívio mais que merecido.
Tentas disfarçar o desânimo, a revolta interior. Mas nós que te conhecemos tão bem, sabemos como te tens esforçado para controlar a vontade de mandar certas pessoas para “aquele” sítio mais que merecido. Louvamos-te a sabedoria e a paciência. O teu bom senso, educação, forma de ser e estar que sobressaiem e vão conseguindo manter-te tal como és e não como tentam fazer que sejas.
A vida é complicada. A vida ESTÁ complicada.
Até o tio resolveu “finar” neste dia que normalmente é de festa (“nossa”, pelo menos) por ser o teu dia de aniversário.
Mereces ser feliz. Eu gostava que fosses feliz. O teu filho admira-te, ama-te e adora ouvir-te bem-disposto e a dizer “as tuas piadolas” com ar de quem está a contar coisas sérias. Ou então, quando resolves contar o maior disparate como se estivesses a acreditar nele e dele dependesse algo da mais extrema importância.
Gostamos de ti. Gostamos do teu carinho. Gostamos da tua mão que está sempre estendida e nos ampara mesmo quando o caminho não nos inspira cuidados.
Temos um defeito a apontar, afinal, não há “bela sem senão” – És mesmo trôpego a andar de bicicleta!
Sei (sabemos) como és persistente e que mal o Inverno dê lugar à Primavera e o tempo fique mais ameno, em meia dúzia de passeios já estarás a fazer pouco do nosso estilo e da nossa mania de que somos "ases do pedal".
Há uma coisa que não te posso prometer: Não rir das tuas quedas. São fantásticas. A coceira que provoca na barriga é superior à preocupação de ver homem para um lado e máquina para o outro.
Afinal, o que conta é a nossa cumplicidade. Não será um grande dia de prendas. Mas será um dia como todos os outros, com imensa ternura e respeito pelo ser humano bom que és.
Parabéns a ti!
 
publicado por DyDa/Flordeliz às 17:20
06
Fev 10

 

 

"Sara e Brian Fitzgerald são pais de duas crianças e formam uma família feliz. No entanto, a vida deles muda para sempre quando descobrem que a sua filha de dois anos, Kate, tem leucemia. A sua única esperança é conceberem outra criança, especificamente destinada a salvar a vida da irmã. O resultado é Anna. Kate e Anna partilham laços muito mais próximos do que a maioria das irmãs: embora Kate seja mais velha, ela depende da sua irmã. Na verdade, a vida dela depende de Anna. No entanto, Anna, agora com 11 anos, diz "não". De forma a obter emancipação médica, ela contrata o seu próprio advogado, iniciando um processo judicial que divide a família e que poderá deixar o futuro de Kate nas mãos do destino..."

 

Um filme com uma mensagem que é: Impossível ficar indiferente.

 

Quando devemos aprender a desistir?

Quando devemos deixar de nos centrar na nossa dor, e olhar a dor, dos que connosco vivem e a partilham também?

 

Uma lição de vida, que vai para além do seu fim.

 

Afinal, egoísmo pode ser amar demais!

 

 

Também eu fui feliz na praia, no meio das gaivotas e do sorriso (mesmo que tenha sido um momento breve de despedida)!....

 

 

P.S.: Amigo, obrigada pela sugestão e oferta. Crescemos mais um pouco quando somos confrontados com este tipo de realidade. Nunca tinha parado para analisar. Acredito ser difícil discernir quando nos toca tão directamente na pele. 

 

 

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