a alma da flor
28
Fev 08

  

Mê querido filho,

Ponho-te estas poucas linhas para saberes que estou viva.

Escrevo devagar por que sei que não gostas de ler depressa.

Se receberes esta carta, é porque chegou. Se ela chegar, avisa-me que eu mando -te outra.

Tê pai leu no jornal que a maioria dos acidentes ocorrem a 1km de casa.

Assim, mudámo-nos para mais longe.

Sobre o casaco que querias, o tê tio disse que seria muito caro mandar-to pelo correio por causa dos botões de ferro que pesam muito. Assim arranquei os  botões e pu-los no bolso. Quando chegar aí, prega-os de novo.

No outro dia, houve uma explosão na botija de gás aqui na cozinha. O pai e eu fomos atirados pelo ar e saímos fora de casa. Foi a primeira vez em muitos anos que o tê pai e eu saímos juntos.

Sobre o nosso cão Joli , anteontem foi atropelado e tiveram de lhe cortar o rabo, por isso toma cuidado quando atravessares a rua.

Na semana passada, o médico veio visitar-me e colocou na minha boca um tubo de vidro. Disse para ficar com ele por duas horas sem falar. o tê pai ofereceu-se para comprar o tubo.

Tua irmã Maria vi ser mãe, mas ainda não sabemos se é menino ou menina, portanto não sei se vais ser tio ou tia.

O teu irmão António deu-me muito trabalho hoje. fechou o carro e deixou as chaves lá dentro. tive de ir a casa, pegar a suplente para a abrir. Por sorte, cheguei antes de começar a chuva, pois a capota estava em baixo.

Se vires a Dona Esmeralda, diz-lhe que mando lembranças. se não a vires não digas nada.

Tua mãe,

Maria

 

PS: Era para te mandar os 100 euros que me pediste, mas quando me lembrei já tinha fechado o envelope.

 

AUTOR DESCONHECIDO

 

recebido por email

 

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 00:19
sinto-me: A piada simples também pode se
27
Fev 08

Imagem retirada da internet

Capitulo IV

Distraído, apoiava a cabeça sobre uma mão enquanto redigia o relatório que teria de entregar ao inicio da tarde. O prazo era curto e as palavras não saiam céleres. Os pensamentos estavam desconexos e por várias vezes tinha corrigido as poucas palavras escritas no papel. A sua mente vagueava entre a culpa e o desejo irracional da imagem de um sofá vermelho que lhe consumia o juízo.

Era neste marasmo que se encontrava quando o telefone tocou e o fez pular da cadeira em sobressalto. Ana, a colega do lado, sorriu ao ouvir o arrastar forçado da cadeira.

Atendeu. Marta combinava com ele os preparativos da viagem. Saía a meio da tarde e regressava na terça-feira ao final do dia. As viagens ao fim-de-semana eram mais baratas e a empresa tentava minimizar os custos com as deslocações, o que era perfeitamente natural.

Marta alertou-o para a necessidade de comprar um presente para Sofia, prima de Mafalda, que fazia anos, e visto que era sexta-feira, tinha ficado combinado que passaria lá a noite. Depois de todas as habituais recomendações, acordaram almoçar juntos à uma e aproveitar a hora para conversarem e se despedirem.

No final da chamada, Ana brincou por ele se ter assustado, fazendo conjecturas aos pensamentos de Manuel. Eram bons colegas e a brincadeira acabou por o fazer sorrir libertando-o da tensão acumulada. A manhã acabou por ser produtiva e depressa se aproximou a hora do almoço.

Como sempre, Marta sentia-se culpada por abandonar o lar e viajar sozinha. Tentou tranquilizá-la. A filha Mafalda já estava habituada a estas ausências da mãe, e ele sempre a incentivou e nunca lhe havia colocado obstáculos. Muito antes de casarem já Marta viajava.

Colocou a mão sobre a dele e murmurou um obrigado e amo-te. Ele pegou na mão dela, beijou-lhe a palma da mão e respondeu que também a amava.

No final de almoço ela seguiria para casa com o motorista da empresa que a levaria ao aeroporto. Desejou-lhe boa viagem e sorte nos negócios com os clientes. Em jeito de despedida disse-lhe. “ Tenta divertir-te e visitar alguma coisa interessante no fim-de-semana. Vais passar imenso tempo sozinha”.

A tarde decorria sem imprevistos. O relatório havia sido entregue e a habitual reunião de sexta com os restantes colegas de departamento, seria o culminar dos trabalhos dessa semana e serviria, também, para delinear estratégias para a semana seguinte.

Foi no final da reunião que se cruzou novamente com Joana e quase tropeçou de tão embaraçado que ficou. Ela sabia que Marta tinha viajado, tomou a iniciativa, e convidou-o para um café a fim de conversarem um pouco. Tentou desculpar-se, mas acabou concordando, dizendo-lhe que ligava a combinar, pois Mafalda estava ao seu cuidado.

Mais tarde, sentiu-se estúpido quando se apercebeu de que não tinha o seu número. Como lhe podia ele ligar sem ter o seu contacto?!... Curiosamente, pouco tempo depois, recebeu uma mensagem desta dizendo; ”Manuel, liga para este número. Até logo”.

Curioso! Parecia ler-lhe os pensamentos por telepatia…Pensou que não conhecia mesmo as mulheres. Acabara de o surpreender uma vez mais. Mas teria de acabar o que não poderia sequer ser começado. Amava Marta e respeitava-a. Entre ele e Joana tudo não tinha passado de um momento para o qual ainda não tinha encontrado explicação.

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 20:16
sinto-me: estu(pida)pefacta
26
Fev 08

 

 

Hoje parei, olhei e registei a minha terra onde tantas vezes passamos que nos habituamos a circular sem "ver".

Dizem que é bonita, calma e tranquila. Quem cá vive diz que é sosssegada e boa para dormir... Ainda se houve o chilrear da passarada, os miúdos ainda saiem à rua sozinhos, mas os jovens, esses queixam-se do marasmo e procuram locais mais movimentados em busca de novas emoções.

A beleza das ruas da cidade, não esconde a estagnação. O encerramento de quase toda a indústria textil nesta zona do Vale do Ave (outrora pujante de vida) , vai murchando ao sabor de ventos e marés de desemprego e oportunidades perdidas.

Deixamos fugir a Universidade, não se investiu na formação desportiva dos jovens, o hospital vai deixar de ter Urgências,e a maternidade há muito que deixou de funcionar. O comércio dito "tradicional" a cada dia que passa caracteriza-se por mais uma loja "made em China".

Dos bons velhos tempos ficam os jardins e a vista para as margens de um rio que, sejamos francos, também já proporcionou momentos mais aprazíveis.

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 16:35
sinto-me: observadora
25
Fev 08

Recebido por email
                  
Era uma vez uma aldeia onde viviam dois homens que tinham o mesmo nome:
Joaquim Gonçalves.

Um era sacerdote e o outro, taxista.
Quis o destino que morressem no mesmo dia.

Quando chegaram ao céu, São Pedro esperava-os.

- O teu nome ?

- Joaquim Gonçalves.

- És o sacerdote ?

- Não, o taxista.

São Pedro consulta as suas notas e diz:

- Bom, ganhaste o paraíso.
Levas esta túnica com fios de ouro e este ceptro de platina com incrustações de rubis. Podes entrar.

- O teu nome ?

- Joaquim Gonçalves.

- És o sacerdote ?

- Sim, sou eu mesmo.

- Muito bem, meu filho, ganhaste o paraíso. Levas esta bata de linho e este ceptro de ferro.

O sacerdote diz:

- Desculpe, mas deve haver engano. Eu sou o Joaquim Gonçalves, o sacerdote!

- Sim, meu filho, ganhaste o paraíso. Levas esta bata de linho e...

- Não pode ser! Eu conheço o outro senhor.Era taxista, vivia na minha aldeia e era um desastre!
Subia os passeios, batia com o carro todos os dias, conduzia pessimamente e assustava as pessoas. Nunca mudou, apesar das multas e repreensões policiais.


E quanto a mim, passei 75 anos pregando todos os domingos na paróquia.

Como é que ele recebe a túnica com fios de ouro e eu.....isto ?

- Não é nenhum engano - diz São Pedro.
Aqui no céu, estamos a fazer uma gestão mais profissional, como a que vocês fazem lá na  terra.

- Não entendo!.

- Eu explico. Agora orientamo-nos por objectivos.

É assim: durante os últimos anos, cada vez que tu pregavas, as pessoas dormiam.

E cada vez que ele conduzia o táxi, as pessoas começavam a rezar.

Resultados! Percebeste? Gestão por Objectivos!

publicado por DyDa/Flordeliz às 23:04
sinto-me: ehehehe
25
Fev 08

 
 
Imagem retirada da internet
 
 
 
 
 
Porque não fui à procura de fotos
Porque não sai de casa
 
Porque prometi
E porque não me esqueci
 
Um beijinho para TI!
 
E perguntas eu quem!?...
 
Eu respondo TU!...
 
MIA (Salpicos de Luz)
 
Eu pensei em ti
 
Mas o tempo estava triste
E eu mais triste que o tempo
A vontade fugiu
E não a consegui apanhar
 
Mas logo, logo tentarei...
Ir à procura da luz, da cor e da alegria.
publicado por DyDa/Flordeliz às 20:11
25
Fev 08

 

Imagem retirada da Internet

Capítulo III                                                                     

                     

As manhãs eram feitas de rotinas. Levantar a correr. Duche rápido. Preparar o pequeno-almoço e a lancheira da Mafalda. Os minutos eram cronometrados para que todos conseguissem chegar a tempo e horas.

Sempre ajudou Marta nas tarefas diárias, o mesmo acontecendo em relação a Mafalda. Eram gestos tão repetidos que os faziam sem pensar.

Mas hoje estava distante e Marta alertou-o para que se despachasse ou chegariam atrasados

Sentia-se irritado. Tinha dormido mal e a cabeça latejava, deixando-o mais lento que o habitual.

Enquanto desciam para a garagem, Marta apercebeu-se que ele não estaria bem, prontificando-se de imediato a ser ela a conduzir, mas Manuel rejeitou e sentou-se ao volante, tomando o caminho da escola da filha.

Mafalda era uma criança alegre e tagarela que adorava a escola, os amigos. À saída despediu-se com um beijo e um aceno de mão e saiu a correr batendo fortemente com a porta, dirigindo-se imediatamente para a sala. Com o seu habitual toque, a campainha indicava o inicio de mais um dia de aulas.

Marta e Manuel trabalhavam na mesma empresa. Ele trabalhava no departamento de Investigação e Desenvolvimento, enquanto que ela, por seu lado, desempenhava a função de Comercial.

Enquanto conduzia, ia ouvindo a voz da esposa a ultimar os preparativos da viagem a França e Inglaterra. Estava feliz pois, finalmente, a colecção estava pronta. Mantinha uma carteira de clientes invejável, mas não descurava a atenção que eles lhe mereciam.

Na empresa era respeitada e compensada financeiramente pelo trabalho que desempenhava. Era uma mulher simpática, afável e dinâmica, dominando em simultâneo várias línguas. Desde muito jovem se habituou a viajar sozinha. Esteve na Grécia, Brasil, Turquia, Marrocos e mais recentemente na Índia. Os seus clientes eram maioritariamente franceses e ingleses. Mas para fazer face aos baixos preços praticados pela concorrência, teve necessidade de encontrar países onde a mão-de-obra fosse mais barata, colocando e controlando aí as encomendas. Era realmente muito profissional.

Manuel admirava o seu dinamismo e o empenho, conseguindo mesmo assim manter um aspecto jovial e alegre, aparentando um ar bem mais jovem que os seus 37 anos.

Todos os dias passavam pelo bar da empresa para um curto café antes de darem início a mais um dia de trabalho. Despediram-se, como sempre, com um beijo e cada um rodopiou em direcção ao seu gabinete.

Nessa altura chocou com uma pessoa que vinha em sentido contrário. Atrapalhado apressou-se a pedir desculpas. Era Joana que tinha ficado corada e olhava para ele com ar inquieto.

Encabulado, disse-lhe bom dia e murmurou que precisavam falar. Ela apenas anuiu com a cabeça fugazmente e ambos seguiram para as suas tarefas.

 

                                                       (continua...)

 

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 01:26
sinto-me: estu(pida)pefacta
24
Fev 08

Recebido por email:


É em situações extremas que conhecemos as nossas próprias fraquezas.
Apenas uma pergunta em que te é pedido que respondas com sinceridade, e poderás auto-avaliar os teus princípios morais. 
Trata-se de uma situação imaginária, porém deves decidir o que farias.
 
Estás em plena baixa de Lisboa, no meio do caos causado pelas cheias que ocorrem em épocas de chuvas mais intensas. Tens a tua máquina fotográfica, trabalhas para o "Time" e estás a tirar as fotos de maior impacto.


De repente, vês José Sócrates num carro, lutando desesperadamente para não ser arrastado pela corrente, entre destroços e lodo... No entanto, ele acaba por ser arrastado e tens a oportunidade de o resgatar, ou de tirares a fotografia vencedora do Prémio Pulitzer, que te traria a fama e o reconhecimento mundial
por mostrar a morte de tal personagem...
Com base nos teus princípios éticos e morais, responde sinceramente:
 
 Tiravas a foto a cores ou a preto e branco?



publicado por DyDa/Flordeliz às 15:19
sinto-me:
tags:
24
Fev 08

Recebido por email:

 

Um dia o Sócrates contratou um trabalhador e colocou-o a abrir rasgos na terra. Deu-lhe um horário de trabalho das 8:00 às 17:00 horas.

Certo dia Sócrates observando o trabalho do seu colaborador, achou que podia ser melhor aproveitado.
Sugeriu-lhe então o seguinte:
- Ó amigo, já que você tem 2 mãos, com uma mão você cava e com a outra vai regando. Olhe e já agora começa a vir das 7:00 às 18:00 horas.

No outro dia, Sócrates olhou outra vez para o seu colaborador e achou-o ainda pouco produtivo. Então sugeriu-lhe:
- Já que você além das mãos tem também uma boca, podia enchê-la de sementes e enquanto com uma
mão cava e com a outra rega podia cuspir as sementes. Já agora começa a trabalhar ás 6.00 e termina às 19:00 horas.

Noutro dia Sócrates começou a pensar que o seu colaborador deveria trabalhar enquanto houvesse luz de dia. Portanto sugeriu-lhe que o seu trabalho passasse
a ser das 5:00 até às 22:00 horas. E assim foi.

Um dia quando o pobre trabalhador voltava a casa do trabalho, deparou com a sua mulher com outro homem na cama.O homem, chorou, chorou, chorou vezes sem conta até que a mulher e o amante desesperados com
aquela situação, tentaram consola-lo, perguntando-lhe porque chorava ele assim tanto. Ao que ele respondeu:

- Se o Sócrates descobre agora que eu tenho 2 cornos, coloca-me lá umas lanternas e põe-me a trabalhar a noite toda.!!!

 


 

publicado por DyDa/Flordeliz às 15:06
sinto-me:
tags:
24
Fev 08

 

Imagem retirada da internet

Capítulo II

                                  

Cada um foi incumbido de tarefas diferentes e não mais se cruzaram durante aquele dia. Manuel sentia-se estranho. O dia pareceu-lhe demasiado longo. Sentia-se cansado, um pouco febril. Tentou encontrar no trabalho motivos para ocupar a mente e esquecer o sucedido. Mas sem sucesso.

Por mais tentativas que fizesse, o pensamento obrigava-o a fechar os olhos. Sentia ainda o calor do corpo de Joana de encontro ao seu peito, o cheiro da sua pele macia e perfumada. Mantinha ainda na boca o sabor da sua pele.

Sentia-se arder em desejo. Um desejo que tomava conta do seu corpo e da sua mente fazendo-o estremecer.

Tentando acreditar que era um sonho, piscava com insistência para despertar. O seu coração batia descompassado. Batia tão alto, que ele acreditava ser possível ser ouvido, por quem com ele se cruzasse. Sentia-se assustado, confuso, envergonhado e ao mesmo tempo com uma vontade louca de procurar Joana para saber o porquê de tão arrebatada e inoportuna explosão.

Resistiu! Ao final do dia regressou a casa, onde Marta, sua esposa e Mafalda, sua filha, o esperavam de sorriso aberto.

Beijou fugazmente Marta e abraçou com ternura a menina que correu para os seus braços como sempre fazia. 

O jantar foi feito de conversas triviais. O serão passado junto à televisão como era habitual. Embora presente, sentia-se ausente no turbilhão de emoções que tinha vivido nesse dia.

Marta estranhou o silêncio e perguntou se estava doente. Esquivou-se respondendo que se sentia cansado e recolheu-se mais cedo nesse dia, pedindo-lhe que deitasse Mafalda em seu lugar.

Quando por fim Marta se deitou a seu lado, Manuel fingiu que dormia. Não se sentia capaz de conversar ou de a abraçar. Sentia-se inquieto. Não entendia o que lhe havia acontecido. Precisava pensar. Precisava encontrar respostas. Precisava de tempo!

 

                                                                                                       (Continua...)

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 01:23
sinto-me: estu(pida)pefacta
23
Fev 08

 

 

         Imagem retirada da internet

Comentavas com graça que a culpa era do sofá. Aquele maldito sofá vermelho que traiu as tuas defesas, as tuas barreiras e a fez cair bem no meio do teu abraço.

 

Capítulo I

 

Joana era apenas uma colega de trabalho. Como tantas outras com quem convivia diariamente. Nunca lhe havia prestado muita atenção e não se poderia dizer sequer que pertencia ao seu grupo de amigos.

Naquele dia, saíram os dois para recolher os enfeites da festa de natal da empresa, deixados na quinta onde dias antes todos se haviam divertido.

Ao penetrarem na penumbra do espaço, Manuel sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo fazendo-o estremecer. Pensava ele ser frio. Olhou para o lado e teve a sensação de que o mesmo frio percorria o corpo da colega que o acompanhava. Foi nesse instante que os seus olhares se cruzaram e algo o fez sentir atrapalhado e nervoso, desviando de imediato o olhar.

A sala estava demasiado escura, demasiado silenciosa. Os passos dela ecoavam pelo soalho. Manuel percorreu o olhar pela sala semi-escura tentando concentrar-se no motivo que os levou ao local. Tentou abstrair-se do corpo curvilíneo da mulher que seguia à sua frente e lhe toldava as ideias e os sentidos. Pensou em recolher apressadamente o material que tinham ido buscar para saírem dali. Novo arrepio percorreu a sua espinha deixando-o confuso e tenso. O coração batia-lhe descompassado. Sentia-se estranho.

Foi atraído pelo sofá e sentou-se por momentos tentando sossegar o nervosismo que tomara conta do seu pensamento. Joana seguiu-lhe o gesto, aproximou-se lentamente para tomar o lugar a seu lado, mas ao fazê-lo tropeçou e foi cair bem no meio dos seus braços.

Entreolharam-se atrapalhados e os seus corpos foram-se aproximando num abraço de desejo e paixão arrebatadora. Tocaram-se, acariciaram-se e por fim beijaram-se, saciando uma vontade que os deixou assustados.

Quando por fim se separaram, em silêncio, envergonhados, recolheram apressadamente o restante material, percorrendo todo o caminho de regresso sem trocarem uma única palavra.

 

                                                                                                                                (Continua...)

 

 

 

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 01:31
sinto-me: estu(pida)pefacta
22
Fev 08

 

BOM FIM-DE-SEMANA

publicado por DyDa/Flordeliz às 13:03
19
Fev 08

Hábitos são acções, pensamentos ou expressões que vamos adquirindo e repetindo ao longo do tempo. À medida que os vamos repetindo, e que eles se vão entranhando mais e tornando-se cada vez mais nossos, acabam por passar a fazer parte de nós e a ser nossas “imagens de marca” e “cartões-de-visita”. Eu, por exemplo, costumo ao acordar pela manhã chegar à cozinha e ligar a televisão para ouvir as notícias.

Hoje enquanto tomava o meu café, discutia-se sobre o tempo para hoje e qual o motivo da quantidade invulgar de precipitação (chuva) que caiu durante a noite e o dia de ontem em Lisboa. E a meteorologista junto ao mapa lá ia explicando tecnicamente o porquê do sucedido.

Não era notícia que fosse nova  (ontem fartamo-nos de ver reportagens e até programas sobre o tema), por isso não estava a prestar muita atenção. Até ouvir a seguinte frase:

- A chuva … “deve-se à depressão do tempo… ”

Alto lá!!! DEPRESSÃO DO TEMPO?! ?!

Num ápice assolou-me à cabeça: “ então agora até o tempo tem destas coisas”?!

É verdade que andamos todos por aí murchos e com cara de quem comeu e não gostou. Mas eu julgava que o motivo era o desemprego, a falta de dinheiro, a política, os amores e desamores, problemas familiares… Tudo menos uma explicação tão simples como a que eu ouvi…

Meus amigos, temos que unir esforços no sentido de curar esta maleita que afinal é de todos!

Saia um “Xanax” em pó à escala mundial!...

Abaixo as depressões!

Abaixo os vendavais!

E as catástrofes!

E, já agora, tudo que é mau!!!

 

Ok! Ok! OK! Já chega…Passei-me! Eu sei!

publicado por DyDa/Flordeliz às 18:14
sinto-me: Fazendo ao tempo
18
Fev 08


Não preciso saber toda a verdade

Mas não me contes mentiras

 

Não preciso saber para onde vais

Mas não inventes de onde vens

 

Não preciso que venhas falar comigo

Mas se vieres conta somente a verdade

 

Não me digas o que não és

Mas apenas o que consegues ser

 

A minha amizade não é feita de cobrança

Apenas de confiança

O meu carinho não é feito de troca

Apenas de dádiva

 

Usa e abusa:

Com sinceridade e sem jogos de manipulação

Não jogues com a minha bondade

Porque a amizade

Deveria ser como água que corre no regato

Limpa fresca e renovada

 

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 16:33
sinto-me: enganada? não! apenas triste
18
Fev 08

"A vida é bela" e "O Tigre e a neve" - (Roberto Benigni)  

Duas histórias de amor em épocas (diferentes) de guerra. Mas cada uma delas de intensa e emocionante entrega do ser humano. Conseguimos rir no meio de um cenário comovente de desgraça e desespero mas de verdadeira entrega.

publicado por DyDa/Flordeliz às 16:03
sinto-me: Desiludida?!
música: Noa (La vita è bella) - Gosto esta música
15
Fev 08

Eu estava tão feliz, tão vaidosa. Tinha-mos recebido em casa uma boneca loira, que mexia, chorava e comia de verdade e era linda!

Lembro da primeira vez que te peguei ao colo com mil cuidados e como o meu coração batia descompassado por ver-te pequenina e frágil e que a todos inspirava cuidados e preocupação.

Foste a menina (única) do meu irmão mais velho. Mas foste para mim e para os avós a “nossa “ menina.

O tempo foi passando, tu foste crescendo, eu amadurecendo e ficando adulta. E alturas houve, em que eras tão “nossa” que nem sei se éramos irmãs, amigas, ou um pouco de tua mãe. Sentias que eu era tua e ficavas triste se me partilhavas. Pensavas que já não gostava de ti, ou te estava a substituir.

Qualquer chamada de atenção ou reprimenda tinha sempre como resposta:

- Saio à tia (ainda hoje é assim)!

Até que chegou a época de ires para a escola e lá foste saltitona e feliz. Eu adorava pentear ou enfeitar a tua cabecita cor de espigas doiradas ao Sol, eras alegre e divertida. 

Mas foi nessa época que a tua vida de menina feliz e despreocupada mudou!

O teu corpinho, a tua cabecita outrora macios, ficaram sarapintados de pequenas borbulhas, que te provocavam mau estar.

Recordo as nossas tentativas desesperadas em te aliviar a comichão, para não raspares a carne (como se fosse possível evitar que uma criança desesperada o não fizesse).

E foi a partir dai que começou a corrida para médicos, especialistas, hospitais. Acreditamos que fosse uma alergia difícil de passar.

Remédios, pomadas, líquidos de banho que cheiravam mal e que tu detestavas e não entendias porque os tinhas de usar. Rituais repetidos incansavelmente por mim, pela avó e pela tua mãe quando à noite chegava do trabalho. Mal abríamos um tubo de pomada ele desaparecia sem nunca cobrir todo o teu corpo.

- Como te lamentavas… Não paravas quieta… Refilavas …Eras criança!

A escola passou a ser para ti um sacrifício. Tinhas vergonha. A tua pele ficava vermelha, os cabelos ficavam gordurosos na tentativa de manter hidratado o teu couro cabeludo.

Na simplicidade (eram crianças como tu) de falar o que pensam sem rodeios, os teus coleguinhas diziam que não tomavas banho e estavas suja (não sabiam que tu fazias dois ou três banhos diários) e isso machucou-te e marcou-te! Passaste a ficar com febre muitas vezes só de pensar que tinhas escola no dia seguinte.

- As crianças podem ser tão cruéis!

Como a avó sofreu por ti! Todos nós… mas ela, era incansável em dedicação e cuidados!

Os dias foram passando, os meses, os anos…

E aquilo que não queríamos ver...ou ninguém tinha a coragem de chamar pelo nome chegou um dia:

– PSORÍASE*

Procuramos, investigamos, lemos… E o veredicto final era sempre o mesmo! SEM CURA! SEM TRATAMENTO CONHECIDO!

Aos poucos… o teu guarda-roupa deixou de ter camisolas sem mangas, as golas foram subindo, as saias e vestidos desapareceram. Instalou-se a revolta. O deixar de lutar…

- A vida foi tão difícil para ti!

Precisavas de alegria, precisavas de brincar, precisavas de crescer, precisavas de tranquilidade para ser feliz.

A época da praia (o sol fazia-te bem) era feita de negação em retirar a roupa. A avó e o avô iam para a praia contigo e todos tentávamos convencer-te que eras linda e as tuas “escamas” não tinham importância… Que grandes mentirosos nós éramos (apenas porque queríamos o melhor para ti).

Cresceste e foste ficando uma rapariga bonita, de olhar cativante e atraente. Sentias-te protegida nas tuas roupas quentes e desconfortáveis dos olhares curiosos, outros medrosos e alguns piedosos.

Nunca me vou esquecer uns anos depois de eu casar em que foste connosco pela Páscoa para o Algarve. Nesse ano o tempo estava excelente, com sol e calor. Tu estavas a adorar o hotel, a piscina, a praia. Afinal não havia ninguém conhecido por perto e todos os dias íamos para sítios diferentes. Muitas vezes falas dessas férias com olhar a brilhar.

Andavas por todo o lado descontraída, pouca roupa a cobrir-te o corpo. E eu sentia-me feliz por te ver assim solta e alegre também.

Mas,…

Caiem-me lágrimas sempre que lembro o dia em que vinhas da ilha da Armona alegre e conversadeira a falar de como estavas moreninha, como estavas bem melhor e que mais uns dias de sol e nem se notariam mais as manchas no teu corpo. Quando passaram por nós uns jovens da tua idade que sem dó espezinharam a felicidade de uma semana inteira transformando-o na tua e na minha infelicidade ao fazerem o seguinte comentário:

- Olha “esta” tem sida! E riram-se…

Tu disseste:

- Vês tia?! Vês?!

Não sei onde arranjei forças para segurar a raiva e as lágrimas. Ainda hoje não sei?!

Segurei a tua mão com força na minha e respondi:

- São uns parvos, armados em espertos e que apenas tentavam dar nas vistas! 

Não dei importância mudando de assunto. Mas enquanto te falava, o meu coração sangrava “nina” e ainda hoje sofro com o teu desespero, a tua mágoa, a tua tristeza, o teu desalento.

Casaste! Tens uma filha linda (a minha afilhada) que te adora!

Uma criança de coração bondoso, que vai recolhendo as pontas soltas que encontra ao longo do seu curto caminho.

A tua vida tem sido pautada por dificuldades (financeiras) e muitas desilusões (familiares pessoais).

Sinto que a tua capacidade de sofrimento está a ficar pesada demais e as forças te estão a abandonar.

Eu (todos nós) aprendemos a amar-te tal como és. Nunca houve repulsa em te tocar, em te beijar, em te abraçar. Mas existe uma raiva e uma impotência enorme em ver-te sofrer e nada poder fazer.

As tuas mensagens de desabafo deixam-me a mim também em desalento!…

Tento que oiças a voz da razão, tento dizer-te o que precisas ouvir, mas… Eu sei que és tu que tens a razão. És tu que sofres no corpo e na alma a dor e a desilusão!

Espero que encontres a ajuda necessária, o apoio que mereces, e consigas ultrapassar mais esta fase tão difícil de saúde psicológico e também familiar.

Tomara apareça a solução. Tomara consigas ser feliz. Tomara a vida abra o sorriso para ti.

“Nita” és sempre linda no meu coração!

 

*A psoríase é uma doença  de pele incurável e não contagiosa, nem por tranfusão sanguínea, sendo hereditariamente transmissível pelos genes do psoriático

 

 

 

 

 

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 18:35
sinto-me: zangada
música: nana mouskouri
Fevereiro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
13
16
17
20
21
29
subscrever feeds
mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
Histats.com © 2005-2010 Privacy Policy - Terms Of Use - Powered By Histats
últ. comentários
Sim, muito sinceramente, agora as coisas estão bem...
Não lamentes.Não se perdeu grande coisa.Agora muit...
Lamento que tenhas este blogue abandonado...
É muito mais frequente do que parece este tipo de ...
Olá, bem-vinda.Óbvio que temos de ser cuidadosos. ...
Pois, os acidentes acontecem.BFDS
Nunca ninguém pode dizer que não lhe acontece.Todo...
Totalmente de acordo. Não sou mãe, mas entendo que...
Flor, não quis ser intrometida, mas sabendo que es...
Calma Miilay, não se preocupe eu estou bem. Juro.O...
Amiga, será que se desagregou mesmo???Desejo que a...
Momentos...Agarremos os que são bons, os outros......
Na vida nada é eterno ...Até uma boa música ou um ...
Paciente? Eu de facto vou algumas vezes ao médico....
Amigo, és um paciente.Haja pachorra para aturar as...