a alma da flor
09
Fev 13

O meu "patriarca" a conselho médico deixou de conduzir, para sua segurança, e de todos os que com ele se cruzam.

Durante algum tempo acedeu, não sem lamúrias e queixumes.

 

Esta semana segundo a "matriarca", resolveu voltar à linha da frente e passou a jogar ao ataque - conduzindo.

Hoje segundo as mais recentes fontes familiares, apareceu cá por casa. Por azar, eu não estava, ou melhor: ainda bem, para mim, já que não gosto que se arme em Fittipaldi, sozinho.

 

Ao fim da tarde via telefone tentava fazer passar a mensagem que não era boa ideia, que o médico não tinha dado autorização, blá-blá-blá, palavras deitadas ao vento, enquanto ele feliz, brincava com a situação e dizia:

 

- Mas tu não me queres receber em tua casa, é?

- Eu não estou maluco, sei muito bem o que faço...

- O médico não sabe, eu é que sei como me sinto…

- Vou a tua casa, pois quero conversar contigo. Eu não sou maluco...Posso ir?...

 

Minha mãe do céu, e agora que se responde? Só posso brincar também!

 

Comecei o assunto com voz séria e acabei à gargalhada. Nada do que tentei transmitir foi levado a sério o que me deixou verdadeiramente apoquentada quando fiquei a olhar para o telefone ao desligar.

Não sei bem como lidar com o assunto sem o melindrar, até porque um dos manos acha imensa graça o nosso pai andar na estrada já "entradote", mesmo sabendo que o mais seguro é dar-lhe largueza se o vir ao longe.

 

Mesmo antes de subir para descansar, passei os olhos no sapo e escutei as minhas próprias gargalhadas com esta notícia "Há material circulante na CP com mais de oitenta anos..."     {#emotions_dlg.sidemouth}{#emotions_dlg.happy}{#emotions_dlg.bunny}           

       

- É pá, afinal o meu pai até tem razão. Se com oitenta anos este material circula com pessoal dentro...

- Então, porque não pode ELE circular, se só anda ele e a sua Maria?{#emotions_dlg.confused}

 

 

Ainda bem que lê o jornal e quando chega a casa já esqueceu o que leu, se não...{#emotions_dlg.chucha}

 

Ó vida mais atribulada.{#emotions_dlg.angel}Este fim de semana a "coisa" não vai ser fácil, não vai, não.

{#emotions_dlg.blueflower}

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 01:13
Tive um problema parecido, só que quem tomou as rédeas fomos eu e o meu mano, escondemos a chave do carro, e não se actualizou seguro, nem nada que estivesse relacionado com o carro, e embora não fosse só pela idade, mas também pela sua doença o "caso" foi deveras complicado... com chamadas para o meu telemóvel, comigo no trabalho, quase a chorar que queria sair...

Há pessoas que compreendem perfeitamente que há uma altura em que é conveniente não circularem na estrada, até porque perigam outros. Têm consciência que os reflexos não são os mesmos e encaram isso como um processo natural e aparentemente sem grandes ondas. Conheço um senhor, até bem desenvolto para a idade, que decidiu por moto próprio abandonar a consução na estrada. Digo na estrada porque ao que parece sempre que lhe dá a vontade de conduzir tira e mete o carro da garagem , lava-o, trata dele ou fica algum tempo a ouvir rádio dentro do carro, e provavelmente imaginando estradas à sua frente. É triste?

Não acho, foi a forma que ele encontrou para ultrapassar a saída de "circulação"...

Boa sorte
golimix a 9 de Fevereiro de 2013 às 09:28
Olá,
O meu querido pai aos setenta passou a fase de se recusar a entrar na viatura e conduzir.
Motivo: sem aviso prévio. Não conduzia e ponto final.
Esta fase foi ultrapassada com grande constrangimento e tristeza pela minha mãe, habituada a ser autónoma e não depender de ninguém para se deslocar e passear.
Depois dos oitenta notei (notamos mas com displicência) que era perigoso para ele e para a minha mãe, uma vez que o carro vai na rua "soltinho" e parecem dois passarinhos e que ninguém apite se faz asneira, porque ele, não as faz.
Na zona onde habitam houve grandes alterações com construções de rotundas e mudanças de sentido nas ruas e sinais que ele simplesmente passou a ignorar.
À uns meses, o neurologista disse-lhe que estava na hora de deixar de "circular" pois os reflexos não são os mesmos e poderia colocar a vida dele e a de outros em perigo.
A fase de entrar no carro, puxa atrás (em cima dos eucaliptos), puxa a frente (caindo no acesso à garagem e virar costas e no dia seguinte achar que foi alguém que o fez, menos ele), o lava, limpa e conduzir sem sair do lugar (e com estes dias todos de chuva que o faziam não poder ir ao café) não o vem satisfazendo.
Pior: Em conversa com o irmão dele (o mais novo por sinal) deu-lhe ânimo e coragem em excesso para que se armasse em rebelde e não aceitasse conselhos de "outros"...

E agora?
Agora a gente que se aguente!
Porque como ele diz a sorrir: Não estou maluquinho e sei bem quando devo deixar de conduzir sem ninguém me dar ordens.

Só um aparte: Há dias em que acorda e pergunta à minha mãe onde está e que casa é aquela, pois simplesmente não sabe onde está e porque lá acordou.

Será que um dos tico-teco começou a funcionar melho de repente, ou avariou o que tinha algum préstimo????

BFDS




DyDa/Flordeliz a 9 de Fevereiro de 2013 às 11:57
Estou a ver que têm um problema parecido com o nosso. O meu pai está com uma demência de evolução rápida, não é Alzheimer, é outra com nome ainda mais estranho e que vai dar ao mesmo. Mas quando o pouco que têm funciona acham que podem fazer tudo e mais alguma coisa e deixam toda a gente de coração nas mãos.
Pelo menos o teu pai ainda parece bem humorado, o meu? Deu-lhe para a agressividade... =(

O meu pai já deixou de estar ali há algum tempo.
golimix a 11 de Fevereiro de 2013 às 15:53
O meu pai é um saquinho cheio de mimo. Agora gosta de nos dar a mão, dar beijos e abracinhos.
Como se pode ser duro com alguém que pedincha mimo?
O maior problema dele é esquecer e de repente ficar baralhado sobre o que está a fazer. A minha mãe é o GPS, dentro e fora de casa.
Sem ela...
Até com frio se esquece que deve colocar mais um cobertor no "pelo".
Sabe que tem frio. Não sabe é cuidar para ter menos.

DyDa/Flordeliz a 11 de Fevereiro de 2013 às 16:08
Só para teres uma ideia. O meu pai já vai na segunda dentadira atirada à parede, e claro partida, porque cisma que aquilo tem que ficar preso à gengiva, e como não fica.... está de lhe tratar da saúde.
Comigo não faz muita cena, porque eu também sou de nariz levantado e não deixo. E ele manda vir e eu também mando. Agora apanhou a mania de gritar e atirar-se ao chão a fazer birra! Vê la se pode? Nem o meu filho fazia isso! Isto a ver se eu me calo e o deixo. O que consegue... Não consigo.
Mas com o meu mano, mais novo dez anos e meio que eu, diz-lhe coisas que nem lembra.
Se ele pedisse mimo não estávamos mal...

Mas ralhar a quem pede mimo é um drama....


Já percebo agora porque há uns dias disseste que não querias ser um peso para ninguém. Reviste-te no teu pai.
Uma coisa é teres algo físico e dependeres de alguém (quer vai sendo o meu caso, que dependo para algumas coisas de ajuda) mas a tua cabeça está boa, Outra é além do físico teres uma cabeça que não alberga a mesma pessoa que sempre conhecemos e nem sabemos que ali está.


golimix a 11 de Fevereiro de 2013 às 16:30
É necessária muita paciência e sabedoria para lidar com a teimosia dos velhotes. Coisa que eu não tenho.
Aproveita que é fim de semana de carnaval para conseguires dar a volta á situação de forma favorável.

beijinhos
Joana a 9 de Fevereiro de 2013 às 11:42
Olá Joana,
Eu vivo distante. Não o posso controlar.
O meu mano mais velho e a esposa já trepam paredes, pois as respostas começam a ser ofensivas e agressivas - ferindo.

Acho que vou emigrar.
Gosto imenso deles. Não os quero melindrar. Mas há algo que se terá de fazer.
Tenho esperança que trepe em cima de um muro sem se magoar e assim o carro deixe de ter peças (com a juda de um mecânico) para conserto e terminar o "nosso castigo" de o vigiar ou "roubar" a chave.

BFDS


DyDa/Flordeliz a 9 de Fevereiro de 2013 às 12:02
Quem sabe a todo custo é mesmo o "Gusto" , grande ás das estradas minhotas qual fitippaldi em copacabana a passear a sua Maria .....
Rotiv a 10 de Fevereiro de 2013 às 01:28
Pois é, parecia um pintassilgo feliz.
E eu gosto. Mas tenho medo. Fico aflita.
Quem não está a achar graça nenhuma é quem o vê a apontar na rua (o mano velho) eheheheheh já o (mano novo) só lhe falta estender a passadeira para o ver passar. Acha que o pai "Gustio" deve ir para o Guinness
Só espero que seja pela razão certa...
DyDa/Flordeliz a 10 de Fevereiro de 2013 às 03:16
Contrariar um teimoso não é tarefa fácil.
Contrariar um velho convencido, também não.
Juntar os dois e fazê-los ver uma verdade com que não concordam nem aceitam, é missão impossível.
Só mesmo se forem obrigados e ainda assim não se rendem sem luta! Ou se apanharem um susto!

Desejo-te, amiga, que obtenhas sucesso nesta decisão mas não será fácil...

Beijoka!
Kok a 10 de Fevereiro de 2013 às 17:25
Este fim de semana S. Pedro deu uma ajuda - choveu.
O meu pai nunca gostou de andar de noite nem conduzir com chuva.
Beijinho espero que esteja tudo bem convosco.

DyDa/Flordeliz a 10 de Fevereiro de 2013 às 18:28
esta poesia é muito bonita}
susana filipa carrão gomes a 15 de Março de 2013 às 16:39
É uma situação delicada. Quem gosta de se sentir velho ou excluído? Nós ficamos preocupados com a segurança deles.
Boa sorte, com calma tudo se resolve
Ocupadíssima a 8 de Abril de 2013 às 13:57
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