a alma da flor
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Jan 11

Nos últimos dias muito se tem falado na morte de Carlos Castro e no desmoronar do sonho de carreira do modelo Renato Seabra.

Aborda-se o tema das preferências sexuais. A vontade de subir ao topo e à fama a custo de promessas e, como é óbvio, contrapartidas de favores ou benesses obtidas. A ingenuidade da idade.

Enquanto vou escutando, enquanto se vai falando, recordo outros casos de sucesso, outras situações de estrelato pouco estruturado, de fama fácil e mesmo demasiado repentina para jovens de origem humilde, sem grande preparação académica ou retirados do seio habitual – a família.

   O jovem pedreiro Zé Maria (ex BIG BROTHER). Rapaz tímido e simples, sem preparação para ser largado numa vida de exposição pública, andou perdido, tentou mesmo o suicídio e ainda há bem pouco tempo recebia ajuda para conseguir retornar à vida “dita” normal.

   O padeiro Bruno, de Barcelos (ex BIG BROTHER), que depois do cair do pano, dedicou-se a companhias e negócios pouco recomendáveis e acabou preso.

   Mário (ex BIG BROTHER), embarcou em nau ou tormenta grande demais ao dedicar-se à exploração de bares e animação noturna. O interesse publicitário pela sua imagem foi tão passageiro quanto a sua fama, mas a tentação de continuar sobre as luzes da ribalta fez com que o caminho a seguir se tornasse demasiado escorregadio, acabando também ele, preso.

   Dino (Francisco Adam) era ainda um miúdo. Teve um trágico acidente de automóvel que lhe ceifou a vida. Talvez porque as horas não chegam para as solicitações. Fala-se em excesso de álcool e drogas. É uma das vias para aguentar os compromissos assumidos depois das longas horas de gravação em estúdio.

Falo nos nomes destes e não de outros sem qualquer intenção, apenas porque foram os que me lembrei de repente.

Há, com certeza, quem consiga aproveitar a oportunidade que surge, seguir e gerir o sucesso. No entanto, acredito que no meio de tudo isto, se não existir o fator família, alguma sorte, muita força de vontade em resistir às tentações e, mais importante que tudo, um conhecimento de si e dos seus limites, não haverá tempo para um dia parar e pensar. Olhar o caminho percorrido e analisar se o que falta percorrer, ainda está em sintonia com a personalidade de cada um e o que se deseja como forma de vida.

Quase todos estes sucessos são fruto de um acaso. Param-se estudos. Cortam-se inesperadamente laços familiares. Larga-se o que se sabe fazer (estudo ou profissão). E, de repente, levantam voo em direção ao desconhecido.

Qualquer carreira tem (devia) de ser estruturada, pensada. Por trás dela há um grande investimento antes da mesma ser premiada e apelidada de – Sucesso. Êxito. Ídolo.

Transformam miúdos em celebridades. Em poucos dias, passam de simples desconhecidos a exemplos a seguir.

A seguir o quê? De quê? Porque alguém assim o decidiu? Que e quem os faz especiais do dia para a noite?

Um médico que abre um consultório, não passa a ser brilhante no dia seguinte. Um pintor que pinta a primeira tela, não tem o reconhecimento do público no primeiro dia em que a expõe. Um engenheiro antes de lhe ser dada a obra-prima da sua vida, aprende na faculdade e só depois coloca em prática o que lhe foi ensinado e só depois evolui. E por aí fora!...

Tudo isto para dizer que: A culpa muitas vezes morre solteira. Quando cada um de nós é culpado.

   Nós – Família

   Nós – Público

   Nós – Sociedade

Os que querem subir galgando por cima dos outros. Os que ajudam a que as barreiras sejam derrubadas por meios menos claros. Os que vivem à custa da ingenuidade. E aqueles que acreditam que a sorte está ao virar da esquina, apenas porque sim!

 

E os cinco minutos de fama... (?)...

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 22:40
é por isso que antes de querermos subir um pouco na vida temos que pensar primeiro nas consequencias que isso pode trazer. Devemos pensar sempre muito bem antes de tomar qualquer decisão. Beijinhos e um bom ano!!
gatinhafofa a 12 de Janeiro de 2011 às 06:07
Mesmo com todos esses exemplos que todos nós conhece, não aprendem .
Eu costumo dizer : ninguém dá nada a ninguém sem receber algo em troca".
Claro que este caso teve um desfecho muito mais grave, destruindo assim uma vida promissora.
não só a sua vida como a dos seus pais...

geriatriaaminhavida a 12 de Janeiro de 2011 às 08:36
Infelizmente vivemos numa país onde todos querem ter fama, pois associam fama a dinheiro e uma vida social fantástica. O que nem sempre é verdade. Acho que os famosos vivem uma vida de ilusão baseada naquilo que eles acham que os outros pensam e veem neles.
Eu ao contrário da maior parte das pessoas, sempre que vejo uma camar de tv fujo a 7 pés. Só consigo perceber a exposição mediática numa vertente de trabalho, de divulgação/apresentação do que se faz. Para expor a nossa vida pessoa não compreendo.

Beijinhos
Joana a 12 de Janeiro de 2011 às 11:20
5 minutos de fama e por vezes em 5 minutos a tragédia.
Estou a lembrar-me de casos de outros jovens que ao contrário destes conseguiram singrar, mas por detrás houve sempre um elemento de suporte muito importante: A FAMÍLIA.
A família que está atenta, que não faz concessões quando se trata de abandonar valores incutidos desde crianças, a família que tenta que se concilie, a formação, a educação e o sucesso de uma carreira que pode ser promissora.
Todos os que mencionas, se lançaram sozinhos, ousaram andar no trapézio, sem rede por debaixo. O sonho e a fantasia levou-os a imaginar um mundo muito diferente daquele em que viviam. Arriscaram e perderam.
Não me sinto culpada quando tomo conhecimento destes dramas, sinto sim uma enorme tristeza pela minha impotência em não descobrir, como posso evitar que estas coisas aconteçam.

Beijos
Manu
Existe um Olhar a 12 de Janeiro de 2011 às 17:00
É isso mesmo que aqui escreveste, Flor. Vivemos numa sociedade em que o acessório, a embalagem é que contam. Os valores começam a ser coisa rara e mesmo não me encarando como uma moralista (longe disso) há valores que deveriam ser incutidos pela família. Pela escola também. Seria um passo fundamental para cada criança, jovem perceber que aquilo que conta na vida não é entrar nos Morangos com Açucar ou aparecer numa capa de revista porque, supostamente, é um ídolo. O que conta é fazermos aquilo que queremos, que gostamos, que nos realiza como seres humanos. Se depois deste percurso traçado o aparecer numa capa de revista acontecer é uma consequência. Mas não pode ser um fim em si mesmo.

Quanto ao caso que tanto se fala, e especulando um pouco, porque nunca vamos saber ao certo o que se passou e porque se passou, acredito que o Renato, desejoso de fama, estrelato, moda, etc., viu no Carlos Castro a escada mais rápida para o alcançar, entrou no seu jogo, encenou uma farsa de um suposto amor homossexual e, de repente, um pequeno laivo de consciência fê-lo cair em sim. Criado numa sociedade homofóbica, teve repulsa do seu acto, nojo e deitando cá para fora toda a violência que, de forma directa e indirecta existe contra os homossexuais, descambou no que se sabe.

Carlos Castro sempre foi, para mim, uma figura embirrante. Irritante. Nunca lhe dei atenção, nem valor... Mas ninguém merece morrer assim.

Uma última palavra (desculpa o desabafo tão longo) para a vida estragada do Renato e o sofrimento da mãe. Como mãe sinto um aperto no coração por aquela senhora. Não sei o que seria melhor: sabê-lo preso numa prisão do outro lado do oceano, com mais 14 mil detidos, sofrendo toda a espécie de violências ... ou sabê-lo morto.
Maria a 13 de Janeiro de 2011 às 10:39
Olá Concordo com tudo o que dizes no texto, realmente é assim que acontece, mas também é verdade que as pessoas não são obrigadas a querer ser famosos e quem o quer ser deveria saber os perigos que corre. Eu cá prefiro estar no meu cantinho e ser "famoso" para as pessoas que gosto e que gostam de mim

Beijo
onda_azul a 13 de Janeiro de 2011 às 23:32
Olá . Outra vez de visita...
As pressas raramente dão bom resultado. Mas parece que "toda a gente" não tem tempo para perder (?) e quer atingir ontem o que somente amanhã ou depois estaria preparada para a possibilidade de adquirir.
As consequências dessas pressas nunca são consideradas (porque só os "frouxos" é que se dão ao trabalho de terem dúvidas e receios).
O importante é chegar mais alto, mais além e, sobretudo, mais depressa.
O caso que referes (o Zé Maria) é o exemplo típico de que "é mais fácil recuperar de um falhanço do que de um sucesso"!
Neste caso C.Castro/Renato, e sem fazer juízos de valor, se calhar ambos se enganaram e as consequências foram dramáticas.
Um perdeu a vida e o outro (no mínimo) a liberdade e um futuro mesmo que só à volta de Cantanhede.
Em todo este caso a questão da sexualidade é a que menos importa!

Bjs e boa semana!
Kok a 17 de Janeiro de 2011 às 02:20
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