a alma da flor
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Dez 10

Imagem Internet

 

Talvez seja da época, mas recordei-me do carteiro que tantas vezes aguardávamos, espiando pelo canto do olho, para ver se parava à nossa porta.

O Senhor Pereira percorreu durante toda a minha infância e adolescência a minha aldeia a pé. Todos os dias da semana. Fizesse chuva ou sol. Empurrando com uma mão a bicicleta de pedal, que carregava parte da correspondência e encomendas, levando a tiracolo o saco do correio. Poucas foram as vezes em que o vi montado nela, até porque as ruas eram e são muito inclinadas.

Nessa altura não era obrigatório o número de porta. E as ruas não tinham placas identificativas. Nas aldeias eram conhecidos apenas os lugares. No entanto, isso não o impediu de decorar e conhecer as casas e os seus habitantes. E mesmo quando estava doente, era ele que ajudava quem o substituía na separação das cartas para o “giro”, para que pudessem chegar ao destinatário. Cumprimentava pelo nome próprio todos os que com ele se cruzavam, e porque era uma pessoa prestável e cordial, ajudava quem não teve a oportunidade ou a sorte de frequentar a escola e que por esse motivo não sabia ler ou escrever.

Comecei a crescer. E quando recebi a minha primeira carta senti-me importante e feliz. Namorar implicava a existência de correspondência. Todas as semanas aparecia aquele envelope branco, com letra azul muito bem desenhada, com palavras que haviam ficado por falar no Domingo por este correr rápido e saber sempre a pouco. Ou porque, era mais fácil escrever o que a alma gritava mas a boca teimava em manter guardado com medo de fazer má figura.

Depois, eram os postais pelas épocas festivas – Aniversário, Páscoa, Natal…

Hoje, olhando para trás e comparando as entregas dos funcionários dos CTT, esfuma-se do meu imaginário o papel do carteiro.

Será que alguém ainda recebe uma carta de amor? Uma carta de um familiar? Uma carta de amigos?

Na correspondência deixada na caixa de correio encontramos - publicidade, extractos, facturas, documentação fiscal e empresarial. As cartas, aquelas que eram escritas a caneta, há muito desapareceram e deixaram de ser um momento de mágica surpresa ou de fazer o coração disparar em sobressalto.

Agora, só pedimos para que não venham acompanhadas de registo, sinal de ordem para pagamento de multas, ou mesmo chamadas ao tribunal para prestar declarações. Na maior parte das vezes, assuntos que não nos dizem respeito e que nos impedem de trabalhar por sermos obrigados a comparecer e adiadas as vezes que lhes apetece, sem respeito por quem perde horas e se tem de justificar no emprego, o que nem sempre é compreendido.

O carteiro é mais um prestador de serviço. Se um dia aparece um de bigode, no seguinte é um careca e no dia posterior pode mesmo ser uma mulher.

O tempo do “nosso” carteiro foi quase esquecido. A função de mensageiro foi substituída pela de comercial de entregas de resmas de papel que muito pouco é lido ou mesmo aberto por e com prazer.

Marcas da evolução do tempo...

 

 
Nós cá temos um carteiro que é um doce, muito simpatico, sempre com um sorriso no rosto, mesmos nos dias mais tristonhos e consegue alegrar-nos com a sua simpatia, é brasileiro e o seu sotaque é fantásticos, além disse leva-nos sempre as cartinhas... Na época do Natal todos os dias leva um chocolate aqui do balcão:) e merece claro.
Quantos às cartinhas, eu ainda envio cartinhas às minhas amigas, sabes disso, ainda sou tradicional neste aspecto:) e também as costumo receber.

Bom Natal Didinha, ADORO-TE MUITO MUITO
borboletasonhadora a 20 de Dezembro de 2010 às 11:56
Eu falava do carteiro tradicional. Esse de que falas não leva cartas, leva envelopes com correspondência comercial.
Eu sei que gostas de escrever. Já recebi coisas bonitas escritas por ti. Mas eu falava daquelas cartas típicas, escritas a caneta e muito pouca gente se dá ao trabalho de as enviar.

Beijinho e as melhoras.
DyDa/Flordeliz a 21 de Dezembro de 2010 às 00:16
Olá
Também sou do tempo desse tipo de carteiro, infelizmente agora quando passa só deixa facturas e contas para pagar ...

bj
green.eyes a 20 de Dezembro de 2010 às 16:39
E temos os que são simpáticos. E aqueles para quem parecemos transparentes e estão sempre com cara de apressados mesmo que o percurso seja feito em cima de motos potentes.
É a vida...
DyDa/Flordeliz a 21 de Dezembro de 2010 às 00:18
Olá Dida eu tb sou do tempo de um carteiro só do imenso saco pesado que parecia não ter fundo de tanta carta e lembro-me bem dos postais de Natal que se escreviam por esta altura. Coisas que lembro e me deixam uma certa nostalgia. Um grande beijinho amiga e um feliz Natal para ti e família. Um abraço muito apertado.
FatimaSoares a 20 de Dezembro de 2010 às 17:08
Diz lá se não era uma maravilha ver retirar um envelope com o nosso nome.
E que pela letra já sabiamos quem nos escreveu?
Ai...ai...que saudades.

Obrigada e bom Natal para a tua família também.
Beijinho
DyDa/Flordeliz a 21 de Dezembro de 2010 às 00:19
Ah como sinto saudades desse carteiro que sabia de cor nomes e moradas e carregava o seu saco cinzento com alegria e nos cumprimentava como se já fizéssemos parte da família. Nesta quadra de Natal esperavamo-lo ansiosamente porque havia sempre uma encomenda enorme vinda da madrinha do Porto, recheada de coisas boas ás quais não estávamos habituados.
Hoje entulham-me a caixa com propraganda apesar de ter um autocolante a dizer:Aqui não! Claro as cartas com contas para pagar são mais que muitas.
Saudades!

Beijinhos
sentaqui a 20 de Dezembro de 2010 às 17:43
Agora que falas nisso...
A minha madrinha mandava pelo correio se não fosse uma lembrança vinham uns "marcos" no meio da cartinha ou do postal de Natal.
A minha tia mandava da França postais diferentes e bem giros.
Agora, nem os bancos mandam postais. Chegam por correio electrónico.
(Verdade que eu também não mando )

Mas estás aqui...ou ali?

Beijinho e...manda notícias.
DyDa/Flordeliz a 21 de Dezembro de 2010 às 00:23
Tu lembras-te daquele meu post.. a carta?, como não ter saudades do carteiro desses tempos?.... como não ter saudades das cartas?.. mas sabes, basta dar a morada... e escrever.... porque não?

beijinho flor
Jorge Soares a 20 de Dezembro de 2010 às 23:57
Porque a morada apenas serve para o envio de contas e afins.
Cartas, estão em vias de extinção.
Eu não escrevo. E tu continuas a escrever?
Não vejo o meu filho fazê-lo a não ser por sms...
DyDa/Flordeliz a 21 de Dezembro de 2010 às 00:02
Olá
Gostei muito do texto que escreveste. Realmente existem muitas coisas que se foram perdendo ao longo dos tempos e os carteiros são uma delas. As cartas de amor já praticamente não existem, é verdade...o mundo mudou muito e perdeu-se muitas coisas muito bonitas. Tenho saudades desse tempo...

Beijinhos
onda_azul a 21 de Dezembro de 2010 às 22:39
Infelizmente, é assim que se passa.. lembro-me perfeitamente do carteiro que conhecia todas as ruas e os nomes dos moradores.. e nós esperávamos, ansiosamente, por uma carta que nos fizesse sorrir..
Agora é como dizes, amiga, o carteiro não nos conhece, nem a nós nem ao nome das ruas, e já não toca duas vezes (a maior parte das vezes nem toca) e só nos deixa responsabilidades e publicidade em demasia nas caixas de correio..
O 'milagre' das novas tecnologias deu nisto.. e a saudade do antigamente é mais que muita.. porque tudo era mais puro e verdadeiro..
Gostei tanto do teu texto.. escreves tão bem, Flor..

Um grande beijinho
Ametista a 22 de Dezembro de 2010 às 02:08
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