a alma da flor
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Out 10

O negativismo, a quase inexistência de objectivos, e a crise, persegue-nos como uma praga.

A comunicação social presenteia-nos diariamente com mais e mais catástrofes. Umas de origem natural. Outras são “naturalmente” previsíveis e há já muito tempo catalogadas e anunciadas.

São as mesmas medidas pronunciadas até à exaustão que, sendo ou não necessárias, não nos provocam “ponta” de alívio ou nos fazem “saltitar” por mexerem em demasia com o nosso bolso.

Continuamos com o jogo viciado do gato e do rato entre governo e oposição que, por ser repetitivo, se torna enfadonho. Todos temos consciência de como é insustentável para o país este ping-pong de jogadores, na verdadeira asserção da palavra, já cansados e viciados de tanto tentarem adivinhar de que lado recai o ponto no final da disputa. 

Um presidente que faz um anúncio de recandidatura, com o habitual “discurso nulo”, de uma cassete fora de moda, gasta e riscada pela lenga-lenga do “não posso nem devo falar” – “Sou o presidente de todos os portugueses“ – quando ficamos com a sensação de que não fala porque nada tem a acrescentar que seja novidade, ou mais-valia para a nossa estabilidade emocional.

Ou seja: Propõe-se a um cargo mas continua o flagelo sem que ninguém entenda o que nos vai oferecer que já não tenhamos visto antes.

Os empregos são, simultaneamente, menos e mais: menos em número e mais em precariedade. A falta de alternativas frustra as expectativas dos jovens que acumulam passagens nas portas do Centro de Emprego.

E o olhar? … Sim! O olhar e a expressão penosa dos transeuntes “novos-velhos” carregados de desolação e, pior de tudo, já alguma resignação à mistura.

Os parques e esplanadas das nossas cidades estão lotados de gente de olhar perdido. Outrora eram ocupados alegremente por avós e netos. Hoje são pelos que foram considerados “sem préstimo”, substituíveis no seu posto de trabalho e dispensados como incapazes. Muitos ainda com idade e força mais que suficiente para não serem mais um peso “no tal orçamento” ou uma carga de trabalhos.

Problemas de auto-estima, vergonha e, o mais difícil ainda, aprender a viver como “domésticos”, sejam homens ou mulheres, são os principais obstáculos que estas pessoas enfrentam ao serem precariamente marginalizados.

Por opção? Não! Por obrigação!

Vêem-se a braços com a extrema dificuldade de governar os parcos orçamentos familiares, muitas delas com crianças ainda em idade escolar, fazendo involuntariamente parte de um problema que afecta o país inteiro e do qual não são directamente responsáveis.

No horizonte, as nuvens continuam carregadas, e muito cinzentas. Não se vislumbram os desejados “ventos da bonança” e a esperança, essa, aos poucos vai definhando. As horas custam a passar sem uma ocupação. Sem se sentirem produtivos e úteis. A idade é que vai correndo veloz. Pois essa não pára, negando-lhes a cada dia que passa a capacidade de ir à luta e virar a situação.

Pedem-nos “pensamentos positivos”.

Mas, onde se pode adquirir “pensamentos positivos”?

Quem vai encontrar ou descobrir a receita e os ingredientes na medida certa, para que a patente do sucesso seja registada e possa ser colocada em local de fácil acesso a todos, animando o nosso povo e as nossas gentes “para que se volte a acreditar” que “ainda é possívele ainda vale a pena investir e sonhar em Portugal?!... 

Somos um país de velhos (idosos), de velhos (novos demais) e ainda de jovens (velhos) já acomodados e sem iniciativa.

 

Negativa, eu?!... Só se não olhasse à minha volta!... Eu sou é realista!

 

Mas preciso e quero continuar a acreditar que ainda é possível viver neste país pequeno mas de encantos tamanhos. Que há gente boa. E que essa gente é em maior número que a que de nada nos serve e só se preocupa em delapidar ainda mais o que já foi imensamente rapinado. Que nem toda a gente é corrupta. Nem todos são criminosos. E que política pode ser feita por gente a sério e com consciência (de ambos os lados da barricada).

 

Bem, pensando melhor… talvez esteja mesmo a sonhar.

publicado por DyDa/Flordeliz às 02:35
Minha amiga, este texto deveria ser colocado em primeira página de Jornais para ver se o povo acorda. A mim parece-me que anda tudo num marasmo e completamente acomodados. Não se vê o fulgor de antigamente, a vontade de lutar por aquilo a que devíamos ter direito. Estamos a andar para trás e como eu costumo dizer; "para trás mija a burra".
Mas como sou uma sonhadora, também eu acredito que possa haver uma solução de mudança.
Um beijinho
Rosinda
Rosinda a 30 de Outubro de 2010 às 10:04
Flor,

eu também quero acreditar que é possível continuar a morar neste país à beira-mar plantado. Para manter os meus pensamentos positivos, deixei de ver televisão. Mas as notícias continuam actualizadas.

Beijinhos e bom fim-de-semana
Joana a 30 de Outubro de 2010 às 14:40

Olá querida Flor.

Não é fácil permanecer com o pensamento positivo... A tempestade é grande!! Por isso mesmo é altura de nos abrigarmos da tempestade. É tempo também de nos aninharmos e confortarmos no coração de quem nos é mais querido.
Ganhamos forças para continuarmos a levar este país para a frente. E todos juntos vamos conseguir...
Eu acredito!

Beijinhos, amiga, e bom fim de semana.
gotadeorvalho a 30 de Outubro de 2010 às 17:05
Olá! que legal esse blog! Estou estudando Português e, em seguida, desculpa meus erros! Virei visitá-lo
metro madrid a 21 de Novembro de 2010 às 17:34
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