a alma da flor
19
Mar 10

Sei bem que hoje é dia do pai. Mas apetece-me falar do filho dele.

 

Talvez porque hoje é sexta e por estares longe de casa. Porque o dia está cinzento, e porque me sinto como o tempo, melancólica, ou ainda, porque li algo sobre este assunto e me lembrei daquele dia, no fim das aulas (já passaram alguns anos) em que me obrigaram a esquecer de ti durante tempos infinitos junto ao portão da escola.
Era um dia de inverno e estava chuvoso e como tal anoiteceu bem cedo.
Quase sempre era o pai que saía primeiro e tinha o cuidado de te apanhar no portão grande da Escola. Nesse dia, ao almoço, recordou-me uma vez mais que era eu que deveria passar para te apanhar. Penso que (já não recordo bem) na época à sexta tinha de ir para a faculdade ao fim do dia. Assim, ficou acertada e combinada a minha incumbência!
Perto da hora de sair ligou-me a lembrar. Passado pouco tempo e como não me descobrias no sítio do costume, ligaste a perguntar se deverias apanhar o autocarro que passava à nossa porta. Respondi-te apressadamente entre um telefonema e outro: que não! Mais uns minutinhos e ia buscar-te para o pé de mim.
Não gostava que fosses para casa e ficasses sozinho (sabia que ia demorar, não tinha hora certa para sair...) preferia levar-te comigo para o escritório, ao que anuíste sem reclamar (já estavas acostumado).
Mas…
O telefone não parava. As solicitações não terminavam. O chefe impediu-me de sair, falando, falando e falando…
Quando tentava explicar que estavas à minha espera, dizia: é só mais um minutinho e terminamos já! Mas os assuntos não tinham fim…
A pouca luz do dia deu lugar à escuridão e o meu coração cada vez ia batendo mais e mais aflito. Os minutos deram lugar a meia hora e depois a uma hora e eu continuei ali impedida de sair. Não fui capaz de virar costas, ir ao teu encontro!...
Aguentaste-te como um valente. Cansado, com frio, noite escura, ansioso (talvez medroso quando já não havia mais meninos por perto) para chegar ao conforto da nossa casa.
Consegui “arrancar” coragem para implorar ajuda à minha colega de trabalho «amiga, obrigada de coração!» a pegar no nosso carro e ir ao teu encontro.
Acredito que sendo ainda criança pensaste que me esqueci de ti. Que te troquei pelo (maldito) trabalho. Ficaste triste, porque afinal, o autocarro levava-te a casa com mais segurança, que aquela que eu te consegui dar e ainda podias estar quente e entretido com os bonecos que passavam na televisão e não ali… desprotegido!
O pai ficou aborrecido comigo. Com razão!
E eu, embora sem culpa, senti-me incriminada e culposa por me ter faltado coragem para dizer: chega! basta!!!
O tempo passou. Tu cresceste e já quase não precisas de nós.
Nesta época já os papeis se inverteram. Também o pai aprendeu (e não foi nada fácil) que nem sempre conseguimos fazer o que é correcto e que não somos capazes de fazer tudo o que defendemos.
Afinal, a vida é o que é… não o que achamos que podia ou devia ser!
Que é muito mais fácil falar, que colocar em prática o que achamos que deve ser feito, pois não depende apenas e só de nós.
Ainda hoje, falas desse dia. Ainda hoje, eu o lamento também…
publicado por DyDa/Flordeliz às 11:30
Há coisas para as que não há palavras...

Deixo-te um beijinho e muito carinho de amigo


Jorge
Jorge Soares a 20 de Março de 2010 às 22:09
Carinho é bom e amizade também.
Beijo para ti
DyDa/Flordeliz a 30 de Março de 2010 às 01:13
Você é das mães mais fantásticas que conheço, e o pai do seu filho também é um pai exelente. Enfim, como já lhe disse gostaria de ter tido uns pais como vocês e quero ser para os meus filhos uns pais exelentes como vocês são... Beijos grandes
JULIANA MARLENE a 25 de Março de 2010 às 09:20
És uma menina inteligente e saberás tirar do que recebeste da tua família a parte que importa e que fez de ti o que és: Uma mulher lutadora!
Eu sou apenas a Dida(flordeliz) uma mulher que tenta dar o seu melhor aos que ama e aos que a rodeiam.
Claro que nem sempre o consigo!!!
Beijos
DyDa/Flordeliz a 30 de Março de 2010 às 01:17
Como eu compreendo...
Beijinhos.
aspalavrasnuncatedirei a 28 de Março de 2010 às 20:36
Olá!
A vida não é perfeita, não é?!...
Um beijinho
DyDa/Flordeliz a 30 de Março de 2010 às 01:18
Apercebi-me ao vasculhar para aqui os arquivos que ainda não tinha visto este post. A resposta a ele, já vai largamente atrasada. Mas como te recordarás, sempre te perdoei por esse dia e te compreendi, indepententemente da seca que apanhei e das dores nas costas e nas pernas qque já sentia. Não tem mal. Sei que fizeste isso para garantir um futuro melhor para mim.
Mas obrigado por te continuares a lembrar de mim e desculpa-me se por vezes te faço pensar que me esqueço de ti. Mas não! Acredites ou não, nunca me esqueço mesmo.

Amo-te! Muito mesmo!

E não te martirizes com isso. ;)
Beijo enorme e especial para a menina mais fofa que há! (Sempre foste uma óptima mãe e fora de série! - bitola muito alta para quem tenta corresponder enquanto filho.)
DG14RSN a 6 de Setembro de 2010 às 02:29
Ti gosto demais.
Ti gosto daqui até ao fim do mundo.
E não era para leres cusquinha.
Beijoka
DyDa/Flordeliz a 6 de Março de 2012 às 01:01
Março 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
20
23
24
25
26
27
28
29
30
31
mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
Histats.com © 2005-2010 Privacy Policy - Terms Of Use - Powered By Histats
últ. comentários
Sim, muito sinceramente, agora as coisas estão bem...
Não lamentes.Não se perdeu grande coisa.Agora muit...
Lamento que tenhas este blogue abandonado...
É muito mais frequente do que parece este tipo de ...
Olá, bem-vinda.Óbvio que temos de ser cuidadosos. ...
Pois, os acidentes acontecem.BFDS
Nunca ninguém pode dizer que não lhe acontece.Todo...
Totalmente de acordo. Não sou mãe, mas entendo que...
Flor, não quis ser intrometida, mas sabendo que es...
Calma Miilay, não se preocupe eu estou bem. Juro.O...
Amiga, será que se desagregou mesmo???Desejo que a...
Momentos...Agarremos os que são bons, os outros......
Na vida nada é eterno ...Até uma boa música ou um ...
Paciente? Eu de facto vou algumas vezes ao médico....
Amigo, és um paciente.Haja pachorra para aturar as...