a alma da flor
01
Dez 09

Aquele menino de pele imaculada que usava uma pobre fralda é a imagem que ainda guardo e associo ao Natal.

O MENINO JESUS que, despojado de bens materiais, enchia nesta época o imaginário infantil, com poderes para satisfazer sonhos e pedidos tão simples como guloseimas, bolas, bonecas e carrinhos.
Em todas as casas montavam-se presépios com musgo apanhado nos montes e um ramo de sobreiro enfeitado com bolas, peixes, gatos e galinhas de chocolate, provocando-nos sempre que por ele passavamos uma enorme tentação.
Podiam faltar ovelhas, o padre partir uma perna ou o pastor um braço, mas no presépio o menino Jesus, esse, era desembrulhado do algodão onde fora cuidadosamente guardado para poder resistir para o ano seguinte sem mácula, sendo colocado com mil cuidados sobre uma manjedoura de palha, símbolo da privação e simplicidade de onde e como nasceu.
Mas isto… era no meu tempo! Eu cresci. E quase sem dar por isso, esta figura delicada e ternurenta, foi substituída pela de um velhote anafado e barrigudo, vestindo roupas de um vermelho garrido, quentes e um belo par de botas. Chamaram-no de PAI NATAL. Apareceu transportado por dois pares de renas soltando com pretensão ho-ho-ho por onde vai passando.
É esta a figura que todas as crianças reconhecem e ligam à época natalícia, mas que, pela figura imponente, ainda vai assustando os mais tímidos e os mais pequenitos. No entanto, todas as crianças são tentadas a vencer o medo, conquistadas pelo enorme saco que o acompanha e que simboliza a distribuição a granel de presentes para as festas onde é convidado.
Enquanto eu vou ficando mais velha, o Natal vai sofrendo alterações e inovações.
O Pai Natal deixou de ir com “o Coelhinho e o Palhaço, de comboio, ao circo”.
Vi nascer e crescer uma “hipopótama” gordinha chamada POPOTA. Este ano, foi transformada numa fêmea de linhas elegantes e sedutoras. Deve ter feito tratamentos no consultório do Dr. Póvoas, ou então passou pela Dermoestetica fazendo lipoaspiração.
Apareceu a avestruz Leopoldina e, até esta, este Natal, sacudiu as penas e enfiou-as numa roupa tipo “Lara Croft”, combatendo os “maus da fita”.
Mas o que mais me surpreendeu foi o Pai Natal, pela ousadia na montra de uma loja do NorteShopping.
O velho “gorduxo” despojou-se de preconceitos, mostrando a banha ao retirar a roupa e dedicando a quem por ali passa um sorriso travesso, bem como um búm-búm rechonchudo.
Confesso que, por momentos, fiquei um pouco confusa e na dúvida voltei para admirar os seus dotes físicos.
Portanto, posso confirmar: O PAI NATAL está NU no Norte (Shopping).

 

 

publicado por DyDa/Flordeliz às 22:33
É, o tempo passa, e até o natal se acomoda aos novos tempos.

Esse pai natal, pelo menos enquanto o aquecimento global não terminar de chegar, vai-se constipar de certeza... vai-se ver e é um dos que não apanhou a vacina...e não tarda nada é substituído por um menino jesus em palhas deitado...

Assim de repente, sinto-me velho.

Jorge
Jorge Soares a 1 de Dezembro de 2009 às 23:04
Jorge longe de mim lembrar-te a velhice
HO HO HO HO

Eu sou assim:
Primeiro - Pasmo
Depois - Estranho
E a seguir - Adapto-me

Estou constipada...não acredito que seja por ele andar por aí nu!

Achas que tem "influência"?
Pois! Não é esse o nome do virús deste ano pois não?
DyDa/Flordeliz a 2 de Dezembro de 2009 às 14:40
Se não fosse a depilação arriscava ser um api natal assim ! Bom Natal !
durão a 2 de Dezembro de 2009 às 00:28
Quem sabe não ganhava uma pipa de massa? ahahahha
DyDa/Flordeliz a 2 de Dezembro de 2009 às 14:33
É sabido que foi a coca-cola a inventora da figura do Pai Natal. Pelo que eu sei...
A origem da ideia do presépio (vi no google) é de S. Francisco em 1223 e depois no sec. XVI em Itália quando as figuras começaram a ganhar vidas.
Eu caminhei com o presépio e quando não me dava ao trabalho de procurar musgo punha ervas ou mesmo relva que um jardim próximo de casa, fornecia.
Do pai Natal a ideia te tenho é que só me dá despesas. Bem que lhe peço prendas mas se não for eu a comprar...

É para mim surpreendente a ideia de um pai Natal nú. Mesmo admitindo a beleza dos corpos nús.
Apetece-me dizer: oh pá vai-te vestir...
Beijo/Óscar
Óscarito a 2 de Dezembro de 2009 às 16:34
Ou então: Já tinhas idadinha para ganhar juízo, não avozinho?
DyDa/Flordeliz a 2 de Dezembro de 2009 às 16:44
Minha amiga... estou pasma! Pai Natal nu? Nunca ouvi... nem mesmo no Brasil, onde o tempo é quente e as ideias também!
Enfim...o que têm na cabeça essas pessoas que fazem esse tipo de coisa incluindo essa publicidade (ridicula)? Eu acho que é tetica de galinha!
Beijinhos amiga e um Bom Natal á moda antiga!
Rosinda a 2 de Dezembro de 2009 às 21:10

As pessoas não sei!
O Pai Natal na cabeça tem o gorro
(Desculpa não resisti à brincadeira)

É ridícula a publicidade mas lá que faz parar e olhar - faz!
Portanto, acho que o publicitário vai ter uma bela comissão - funciona!
Disseste Natal à moda antiga? Ai ai ai lá vou ter de aguentar as batas com o bacalhau. Socorroooooo!!!
E sou eu que as tenho de cozer. Socorrooooo!!!
Pronto vou fazer um pedido. Faça o favor de dizer como se coze batatas com bacalhau para esse dia (não vale criticar). É que a água foge-me pelo fogão fora e desliga-o, o bacalhau ou coze demais ou de menos, as couves ou se desfazem ou só se comem quando nos atam a um sobreiro e nos obrigam a mastigar. ehehehehehhe
Que cenário. Mas olha é assim que eu sinto.
Beijinho

DyDa/Flordeliz a 2 de Dezembro de 2009 às 22:58
AMIGA ...ESSA PARTE DA COMIDINHA, COMA O QUE GOSTAR! NÃO PRECISA DE SER O BACALHAU! EU POR ACASO GOSTO E DAS COUVES AINDA MAIS! DEPOIS DA ROUPA VELHA JÁ NÃO GOSTO, PARA VELHA CHEGO EU!
BEIJINHOS
Rosinda a 2 de Dezembro de 2009 às 23:06
Já tínhamos discutido este assunto num post mais antigo, mas de facto é algo que dá pano para mangas... Não sei como era exactamente "O coelhinho e o palhaço" que iam "no comboio com o pai natal ao circo". Mas isto está cada vez pior! "QUE MEDO!!"
Adorei o post! Parabéns!
Beijocas*
DG14RSN a 3 de Dezembro de 2009 às 00:38
Eu sei que eles iam com o pai natal de comboio, agora quem entrava primeiro?.......... (?)

...de qual confeitaria? ainda existe bombocas?
Upseram beijokas
DyDa/Flordeliz a 3 de Dezembro de 2009 às 08:45
Ah Ah não há dúvida que a escolha do NorteShoping foi acertada...penso que ninguém ficará indiferente ao ver a figurinha gorda e anafada, eu também não fiquei ao ler o que escreveste sobre como se vive e viveu o Natal.
Por ser tão banalizado e comercial, deixei de dar a importância a esta época, aliás estou sempre ansiosa que tudo passe depressa e evito entrar em lojas nesta época.
Já avisei a família...prendas? Virão quando me apetecer.
Ah, já estava a esquecer-me de te oferecer uma

Beijos
Manu
Existe um Olhar a 4 de Dezembro de 2009 às 11:15
Minha querida Flordeliz!

Tens aqui um post impecável, tal como tu também estou a começar a insurgir-me pelo facto de ano para ano, cada vez mais, são levadas a cabo acções que estão a destruir a magia do natal da nossa meninice. Alguma vez, isto agora é Natal? Um dia, os nossos netinhos, se os haveremos de ter, nem já vão saber o quão felizes nesta época chegámos a ser, mesmo ter prendas caras e gulodices sofisticadas. Mas, pela parte que me toca eu farei uma revolução nessa altura. Natal sim! Mas terá de ser aquele Natal que eu vivi, ou então, NADA!
Um grande beijo!
Milu a 9 de Dezembro de 2009 às 19:37
Para a Manu e para a Milú

Chega o primeiro dia de Dezembro e começa a tomar conta de mim a ansiedade.
Vejo gente em correria. Carrinhos atolados de pacotes. O Dlim-Dlim-Dlim da música a tilintar nas ruas que se vai repetindo até não se aguentar o CD de tão "rouco" que fica. Enfiam-nos sacos na mão para encher para os donativos (chega a parecer perseguição). Todas as vezes que entras no “Super”, levas com um saquinho para encher…ou então, enfiam-te à força um boneco e pedem apenas um minutinho de atenção (como vais várias vezes, os minutinhos viram penitência). As luzes piscam nas montras, no chão, no céu, como se amanhã deixasse de existir. Eu começo a sentir-me levitar em agonia. Deixo de ver e ouvir. O corpo passa enquanto a alma voa em desespero. Arrasto as tarefas. Adio as decisões. E começo a recusar sair de casa.
ARREEEEEEEEEEEE
Na minha cabeça martela: Não vou comprar prenda nenhuma! Não vou comprar prenda nenhuma! Detesto ser obrigada! Detesto comprar! Daqui a pouco é tudo a metade do preço.
Mas?!...
Numa outra zona da cabeça (maldita consciência) vai segredando: A tua afilhada Bárbara vem a tua casa na noite de Natal e não é por ter saudades - quer prenda! A tua mãe e o teu pai passam o Natal contigo, o teu filho merece, o teu marido também!....
Vais receber prendas. E pior, se não retribuíres vais-te sentir parva.
Oups... Oups...Oups...
E os pensamentos e as discussões no cérebro continuam: Não faço bolos (ninguém come doces cá em casa). Desta vez não compro (é disparate e desperdício)! E se aparece alguém, que tens para oferecer?
Ai...ai...ai... Não gosto desta época. Não gosto. Não gosto. Não gosto.
Quero Janeiroooooooo depressaaaaaa
Manu e Milú é um desabafo de época e vai passar – espero eu!
DyDa/Flordeliz a 9 de Dezembro de 2009 às 22:36
Flordeliz.

Tenho reparado que há cada vez mais pessoas a renegar o modelo de Natal actual, por já não estar envolto pela aura de magia como se sentia antigamente. Os pais de hoje vão com os filhos aos centros comerciais para lhes comprarem a prenda. Sempre que isso vejo não consigo evitar o impulso de pensar que aqueles pais ainda são mais crianças do que os próprios filhos. Tem alguma piada comprar as prendas dos filhos com estes a verem? E, depois, a estupidez de mandarem embrulhar! Embrulhar para quê? Mais valia os filhos as levarem logo nas mãos, julgo que seria mais sensato. Mas o que é triste é que estes pais nem se apercebem da figura que fazem. De qualquer das formas desejo a todas as crianças que sejam tão felizes com as prendas sem surpresa, como eu fui a receber as minhas tão pobres e simples prendas, mas que foram uma surpresa.

Nos meus tempos de criança fazia a minha árvore de Natal com um pinheiro verdadeiro, que ia cortar num pinhal para lá das traseiras da minha casa. Os pinheiros naturais até que não são bonitos, por vezes são assimétricos, parecendo desengonçados. Pendurava-lhe umas bolas coloridas, feitas com bugalhos envoltos por pratas dos maços de cigarros e outras às cores que arranjava nem sei onde. Ficava muito pobre, mas o cheiro da resina fazia-me sentir que era Natal. A minha árvore de Natal nunca teve chocolates, pois não tinha dinheiro para tal e os meus pais não eram propriamente sensíveis as estas coisas, de mais a mais, se os tivéssemos tido, isto é, os chocolates pendurados na árvore, pouco tempo lá estariam, mais de uma hora já era muito.
Com o meu filho já foi diferente, fiz questão de lhe dar tudo aquilo que desejei e nunca tive, na idade dele, claro. Então, enquanto ele foi pequenito fiz-lhe árvores de natal onde nada faltou e bem bonitas, não esquecendo o pormenor dos chocolates. O que me diverti com ele, sem que este o soubesse! É que ele, à socapa, ia comendo os chocolates que estavam na parte de trás da árvore, que era para eu não saber.
Um beijinho
Milu a 19 de Dezembro de 2009 às 00:28
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