Confissões de criança! Ou será, impaciência de adulto?
O Joãozinho achou tão excitante o que tinha visto que não se conteve e correu para casa contar à mãe.
- Mãe! Mãe! Eu estava no pátio da escola, quando vi o carro do pai ir para o bosque com a tia Lídia. Fui atrás para ver. O pai estava a dar um grande beijo na tia Lídia. Depois ele ajudou-a a tirar a blusa, depois a tia Lídia ajudou o pai a tirar as calças e depois a tia Lídia...
Nesse ponto, a Mãe interrompeu-o e disse:
- Joãozinho, essa é uma história tão interessante, que vais guardá-la para contar à hora do jantar!...
Quero ver a cara do pai, quando lhe contares tudo isso, à noite.
Ao jantar, a mãe pediu ao Joãozinho para contar a história.
- Eu estava a brincar no pátio da escola quando vi o carro do pai ir para o bosque com a tia Lídia. Corri para ver. Ele estava a dar um grande beijo à tia Lídia. Ajudou-a a tirar a blusa e a tia Lídia ajudou o pai a tirar as calças e depois a tia Lídia e o pai começaram a fazer as mesmas coisas que a mãe e o tio Jacinto faziam, quando o Pai estava na tropa!
A Mãe desmaiou!
Moral da história: Ás vezes, é preciso ouvir toda a história, antes de a interrompermos...
Uma jornalista, detentora de uma história bombástica que prejudica a imagem do Governo, é perseguida por se recusar a indicar o nome da fonte que lhe forneceu a informação.
É punida por saber mais do que o Estado está disposto a autorizar que venha a público, encobrindo erros ou falhas.
Um julgamento onde a lei pactua e beneficia o Governo (esquecendo a defesa do direito do cidadão), mudando as regras de forma a proteger sempre o mais forte. A retaliação e destruição da vida de uma pessoa que se recusa a abdicar de lutar debatendo-se pelos valores que dignificam a sua profissão.
Um filme envolvente, com um final, para mim, diferente.
Fase da anedota - I (Perguntas com respostas simples)
Recebi hoje com a seguinte mensagem : Afinal o sistema de ensino ainda cria jovens inteligentes...
São respostas tão simples que me fizeram soltar umas gargalhadas e por isso partilho.
Professor: O que devo fazer para repartir 11 batatas por 7 pessoas? Aluno:Puré de batata, senhor professor
Professorao ensinar os verbos:
- Se és tu a cantar, dizes: "eu canto". Ora bem, se é o teu irmão que
canta, como é que dizes?
- Cala a boca, Alberto.
- "Stora",alguém pode ser castigado por uma coisa que não fez?
- Não.
- Fixe. É que eu não fiz os trabalhos de casa.
- Manuel, diga o presente do indicativo do verbo caminhar.
- Eu caminho... tu caminhas... ele caminha...
- Mais depressa!
- Nós corremos, vós correis, eles correm!
Professor:Chovia que tempo é? Aluno:É tempo muito mau, senhor professor.
Professor:De onde vem a electricidade? Aluno:DoJardim Zoológico! Professor: Do Jardim Zoológico? Aluno:Pois! O meu pai, quando falta a luz em casa, diz sempre: "Aqueles macacos..."
Professor:Quantos corações temos nós? Aluno:Dois, senhor professor. Professor: Dois!?... Aluno:Sim, o meu e o seu!
Dois alunos chegam tarde à escola e justificam-se: - 1º Aluno:Acordei tarde, senhor professor! Sonhei que fui ao Dubai e demorou
muito a viagem. - 2º Aluno:E eu fui esperá-lo ao aeroporto!
Professor:Pode dizer-me o nome de cinco coisas que contenham leite? AlunoSim, senhor professor: Um queijo e quatro vacas.
Um aluno de Direito a fazer um exame oral - O que é uma fraude? Responde o aluno - É o que o Sr. Professor está a fazer. O professor muito indignado: Ora essa, explique-se... Diz o aluno:Segundoo Código Penal comete fraude, todo aquele, que se aproveita da ignorância do outro para o prejudicar!
Professora: Maria, aponta no mapa onde fica a América do Norte. Maria: Aqui está. Professora: Correcto. Agora turma, quem descobriu a América? Turma: A Maria.
Professora: João, menciona uma coisa importante que exista hoje e que
não havia à 10 anos atrás. João: Eu!
Professora: Francisco, porque é que andas sempre tão sujo? Francisco: Bem, estou muito mais perto do chão do que a Sr.ª Professora.
Professora: Agora, Simão, diz-me sinceramente, rezas antes de cada refeição? Simão: Não professora, não preciso. A minha mãe é uma boa cozinheira.
Professora: Artur, a tua composição "O Meu Cão" é exactamente igual à
do teu irmão. Copiaste-a? Simão: Não. O cão é que é o mesmo.
Professora: Bruno, que nome se dá a uma pessoa que continua a falar,
mesmo quando os outros não estão interessados? Bruno: Professora
Pum!… Ouviu-se um som de chapas a bater na rua, activando os inconscientes sinos de alerta.
Após alguns segundos de resistência, a curiosidade foi mais forte e dirigi-me à sacada da varanda do quarto e olhei para a rua tentando vislumbrar o que se tinha passado.
Era já final da tarde e a noite tinha caído. No entanto, o local estava bem iluminado, permitindo a visão de toda a área envolvente.
Um cavalheiro que entretanto me avistou e, como me visse perscrutador, dirigiu-se-me solicitamente até procurando um hipotético lesado.
- Foi aquela carrinha que deslizou sem condutor. Estava destravada, foi por aí abaixo e bateu lá ao fundo, não sei se somente naquele banco de pedra, se também no carro que lá está estacionado.
Ainda a ordenar a informação que estava a receber, chamei a minha companheira para lhe relatar o sucedido, dado que ela não se teria apercebido do estrondo que me fez sair à varanda.
O nosso quarto era no 2º andar do edifício onde nos encontrávamos. Já os dois na varanda, continuamos a escutar com atenção a descrição do senhor no exterior que tinha assistido e nos dava conta do incidente.
Foi então que de uma forma repentina e insólita, como se tivesse recuperado a consciência, ele exclamou.
- UI!! A carrinha é minha!... Ó que caralho!... A carrinha é minha!...
Desenfreado, desatou a correr rua abaixo em direcção ao local onde estava a viatura…
Olhei para a minha mulher. Ela olhou para mim. Debruçamo-nos na grade a espreitar o homem e ela não se conteve. Começou a rir desalmadamente, não sendo possível parar o riso de ânimo leve.
Rapidamente descemos à rua no sentido de dialogar com o senhor para tentar entender.
Após breve vistoria ao estado da carrinha, ao local onde ela havia embatido e ter confirmado que a mesma não tinha chegado a bater na viatura lá estacionada (porque o banco a tinha detido), meteu-se dentro do carro, ligou a ignição e aproximou-se de novo de nós.
Soou mais um ranger de chapa a ser amolgada ao libertar-se da pressão a que estava a ser sujeita. Entretanto o fecho de uma porta foi arrancado da sua posição normal ficando a bambolear.
E lá veio ele até nós, analisar os estragos (agora ainda maiores, pela precipitação com que procurou retirar a viatura da incómoda posição em que se encontrava enfaixada), descrevendo o episódio cujo início nos tinha escapado.
- Parei aqui no multibanco para levantar dinheiro, e não encontrava no bolso das calças o cartão (dizia enquanto continuava a meter as mãos nos bolsos exemplificando). Vi, realmente, um carro a deslizar suavemente rua abaixo, mas nunca pensei ser o meu!...
Apesar do esforço que fazia para deixar de rir, a minha mulher não conseguia parar, dado o insólito da situação.
- Só depois - continuou o cavalheiro - de me lembrar que tinha mudado de calças e vir para a minha carrinha é que me apercebi que ela não estava no sítio. Era a minha!
Convirá reafirmar que, apesar de ser de noite, o local era iluminado e era perfeitamente visível o corpo e a cor do veículo. Só se a nossa mente não “estiver cá”. E a dele andava a tentar descortinar onde tinha deixado o cartão, impedindo-o de ver o seu próprio veículo a deslizar rua abaixo, sem lhe deitar a mão.
Maldito cartão! Não só não lhe deu dinheiro como ainda o meteu em despesas!...
Tenho esperança que ninguém leve a mal até porque não tenho intenção de fazer chacota de ninguém!
Trabalho com uma empresa que tem nos seus quadros uma funcionária gaga, que não sendo uma disfunção grave, acaba por atrapalhar no contacto com quem fala e ainda mais quando o mesmo é feito por telefone (ainda bem que por email ou fax não se nota!). Nada que não seja ultrapassável uma vez que a senhora é uma excelente colaboradora.
Mas... Não há bela sem senão.
O patrão é uma pessoa nervosa e impaciente. O que, para alguém com esta limitação, não ajuda nada, fazendo-a sentir ainda mais acabrunhada e plissar na pressa de o atender.
Um dia, chama-a e questiona-a: “Como estamos com o assunto tal?”
Na ânsia de ser célere na resposta, ela começou: que-que-que…
Ele, contendo uma vontade quase incontrolável de tentar dar uma palmadinha para ver se sai, soltou um: “ Diga lá, vá!...”
Ao que ela prontamente respondeu: “C...calma!”
E pronto. Lá foi o caldo entornado! Porque, a resposta dele foi imediata: “Não! Calma você! Você é que está nervosa, não eu!”
Mas há outros momentos bastante constrangedores. Por vezes ela está a falar de um assunto, e explica, explica, explica e, quando chega ao fim, olha o patrão, que com o ar mais natural do mundo lhe diz: “…Não percebi nada!”
Sejamos sinceros que eu às vezes deduzo o que ela diz, mas em boa verdade também não a percebo muito bem.
Todos sabemos como é difícil encontrar estacionamento dentro das cidades. Para facilitar e as tarefas serem mais rápidas, sempre que possível, peço ajuda ao meu filho quando tenho de visitar clientes para entregar documentos ou mesmo para ir ao banco. Enquanto eu entro, ele procura estacionamento, ou então vai dando a volta pela cidade.
Hoje foi mais um desses dias. Um pouco a contra gosto (é chato!), mas lá me acompanhou.
Acabamos sempre por nos divertir. Conversamos entre as viagens, falamos do dia, da escola, da vida…
Hoje, falava-me de uma professora que tem o “tique” de aplicar a palavra “portanto”.
“Portanto, se tiverem dúvidas, portanto, podem colocar. Já alguém, portanto, participou…, portanto, num intercâmbio?”
Eu dizia-lhe: Já não te posso ouvir com isso. Pára por favor!
Ele respondia: “Portanto, imaginas o que é estar hora e meia nisto?!”
Continuava ele: “Mas há mais! A senhora é vesga (coitada!) E, quando ela questionou um assunto na aula eu caí na asneira de responder. Ela foi-se aproximando da minha mesa e quando chegou, fitou o meu vizinho de carteira e disse: «Portanto, conte lá, então, portanto, como foi?...»”
“Ele olhou para ela com cara de quem não estava a achar graça nenhuma (aliás, tem cara de poucos amigos. Parece zangado com o mundo). Supondo que era para mim, lá me expliquei, verificando que ela continuava a olhá-lo (quer dizer! Parecia!) Não sei como não me ri…”
“Mais à frente, na aula, nova situação. Um colega falou e ela de novo, em vez de olhar na sua direcção, olhava para trás. Ele ficou pasmado e ergueu (a medo) o braço, dizendo: sou eu (nós quase escutamos o seu pensamento: ui eu falo e ela olha para trás?!..Ups!…)”
Enquanto ele ia contando e nós nos riamos, lembramos uma situação passada num Snack no centro da cidade onde muitas vezes almoçávamos ou jantávamos.
O dono tinha gémeos. Pareciam iguais até olharem directamente para nós. Um deles era estrábico (muito mesmo) e essa era a maior característica que os diferenciava (além de partir loiça que não conta).
Lembro-me de uma vez ter pedido um ICE TEA de Manga. Ele (sei agora que era o estrábico) porque não ouviu, ou porque se esqueceu, rodou a cabeça para o lado oposto onde eu me encontrava sentada e perguntou - Manga ou Pêssego? Instintivamente e, porque fui eu que fiz o pedido e ele estava a responder para o meu lado, rodei a cabeça com curiosidade para ver a quem ele dirigia a pergunta mas… para meu espanto, o banco a meu lado estava vazio. Afinal, ele estava a falar comigo. Só os olhos estavam virados para o outro lado. Senti-me atrapalhada e até um pouco idiota com a situação. Confirmei o pedido e tentei esquecer o assunto, mas…
Ainda hoje revejo a cena e me rio da situação. Não é fácil mantermo-nos sérios quando a situação acaba por ser hilariante. Pelo menos para quem passa por ela.
Constatei apreensiva que o homem da perna curta continuava a levar-me vantagem.
Durante toda a vida tentei ludibriar este velho trôpego e ele sempre me venceu com a sua passada ritmada, enquanto eu me esforçava na corrida para o ultrapassar nas horas.
Hoje, terei mais uma vez de apressar e aligeirar os gestos para me apresentar na cerimónia final. Afinal, preparada e organizada em minha memória!
Com gestos seguros escolhi o meu melhor fato. Aquele que guardo para ocasiões especiais e que sinto me cai bem. Camisa de cambraia num branco imaculado ajustada nas costas moldando-me a cintura, calça e casaco azul-turquesa e sapato de salto alto a terminar a indumentária. Uma generosa borrifadela de perfume para recordar os aromas da natureza e, por fim, um último olhar de despedida ao reflexo do espelho. Não houve tempo para mais e também nada me prendeu ou chamou a atenção.
Desci acelerada as escadas e de memória tracei o caminho mais curto.
Errei!
O tempo de noite esteve chuvoso e o caminho havia sido cortado.
Retrocedi. Inverti a marcha e optei por um outro atalho fugindo à estrada principal. Também não foi desta que acertei na escolha. O carro desta vez ficou atolado na lama.
Assustei-me!
Ia chegar atrasada de novo. E desta vez não saberia como explicar a falta do meu corpo. Nem como faria para entrar na igreja antes de as pessoas chegarem. Como convencer o velho da perna curta a deixar-me, por uma vez, chegar à sua frente?
Pensei em ligar e avisar o atraso. Mas como faz um defunto um aviso sobre o seu atraso? Que desculpa poderia usar?
E foi desta aflição e deste enigma que, de repente, despertei e que ficou, pelo menos por agora, sem resposta.
O relógio já vai adiantado. Desta vez corro pela casa ao encontro de mais um dia na minha vida!....
Desde que me recordo que o meu pai ouve mal. Nunca foi surdo, mas sempre ouviu muito mal.
Sempre teve um enorme complexo. Por isso a minha mãe acabou por ser o acessório que minimizava a sua diminuta audição, até porque ele nunca assumiu que ouvia mal. Nunca admitiu que lhe falássemos em usar aparelho. Porque como ele costumava dizer: Tinha um ouvido afinado!
O meu pai sabe ler e escrever.
Já a minha mãe aprendeu a ler a vida sem letras.
Ela seguia na frente. Ele sempre a acompanhou. Ele senta-se ao volante do carro. Mas é ela que conduz no banco do passageiro.
Com mais de oitenta Primaveras, ele sonhou que haveria de escutar os sons que antes se negou (ao não querer aparelho) a distinguir. As conversas dos amigos no café, o telejornal e, sobretudo, ouvir-nos a nós.
Mas…
Como educar, depois de todos estes anos, a um cérebro velho, que há mais melodias para além da voz e da mímica da minha mãe?
E como vai conseguir a minha mãe, depois dos mesmos anos volvidos, deixar de ser o eco que o fazia entender o que ele não conseguia escutar e que ela repetia para ele?
Eu não acredito que ele consiga. Vai sentir falta de escutar apenas e só a melodia que era sua conhecida e se chamava simplesmente “ Maria”.
Encontrei-o à entrada do centro comercial. Tinha o corpo coberto por um casaco amarelo. Era delgadito, frágil e aparentava ser ainda muito jovem. Não me olhou, parecia indiferente. Passei acreditando que se desviaria quando nos cruzássemos, esgueirando-se rapidamente. No entanto, deixou-se ficar por ali, alheio.
Curiosa, acabei por me aproximar abordando-o com calma para não o assustar. Não se moveu e deixou-se tocar, aconchegando-se. Carreguei-o nas mãos e atravessei as portas de correr do centro comercial.
Apreensiva, olhei em volta, optando por escolher o McDonald´s. Era Domingo e àquela hora havia pouca gente por ali. Afinal, o dia era de Red Bull Air Race, destino escolhido pela grande maioria das pessoas.
Ao olhar inquisidor da menina atirei – Um “MAC MENÚ, se faz favor!” Qualquer coisa servia desde que trouxesse uma caixa. Na hora de pagar escutei um leve “´tadinho!...”
Escolhi um lugar afastado onde prontamente despejei o almoço na bandeja e com uma das mãos perfurei a embalagem para que deixasse passar o ar. Pousei-o com mil cuidados na casinha provisória que tinha arranjado. Ficou sossegado, enfiando um olhito por uma brecha, espiando-me. Do que pedira para almoço, havia migalhas sobre a mesa que recolhi e desfiz, fazendo-as cair nos buracos da caixa. A rolha da garrafa serviria de bebedouro. E, enquanto almoçava, ia pensando no próximo passo.
Lembrei-me do meu vizinho Lino. O homem que tem na varanda araras, caturras e canários. Talvez fosse capaz de adoptar mais um…
Não gostei da ideia e abandonei-a. Condenar um pássaro à prisão sem ter cometido crime e muito menos sem ser ouvido é algo que me deixa atrapalhada.
De repente a caixa remexeu, abanou, sacudiu e uma asinha quase se esgueirava por um dos buracos maiores. Parecia ter despertado do estado de anestesia em que se encontrava. Já refeito, e aparentemente de moelas mais compostas, tornou-se nervoso por se sentir enclausurado.
Estava calor quando as portas se abriram de novo à nossa passagem. Olhei em redor e descobri que do outro lado da rua havia um pequeno monte de silvas e várias árvores pequenas mas frondosas.
Não gostava da ideia de o abandonar assim pequenino. Afligia-me a ideia de que poderia ser apanhado com facilidade por outro animal.
Abri a caixa e sorri ao ver as asas amarelas levantar voo, poisando no próximo ramo e saltitando até junto de muitos da mesma cor. E todos tão pequeninos como ele!... Saltitavam irrequietos de ramo em ramo a chilrear. E ele seguiu-os no mesmo ritmo.
Mas ficou a questão:
- Se sabia voar, porque se deixou apanhar? Porque não fugiu? Seria o ruído ao longe dos “pássaros de ferro” que o deixaram assim?
Há dias tomei conhecimento de uma história no mínimo insólita.
Num negócio de transacção de um computador portátil, o comprador pediu ao técnico informático que lhe descrevesse como era o dito aparelho. Ora, como sabemos, se perguntarmos a um pasteleiro como é um bolo, ele dir-nos-ia de imediato que levava ovos, açúcar, farinha e outros ingredientes que o compõe. Assim, o técnico desembaraçou-se dizendo que tinha x bytes de memória, outros tantos de processador, não sei quantas portas USB, modem alfa, etc., etc., etc.
Impaciente e, na verdade, pouco esclarecido do real significado de tais informações, pediu:
- Ó Manel, podia-me imprimir aí um para eu ver?
Solícito, o informático apressou-se de imediato a corresponder a este pedido, indo às suas fontes procurar o pretendido e fazendo saltar da impressora dois papéis.
Pegando nas folhas, percorreu-as com o olhar. A impressão mostrava uma série de letras miudinhas que considerava basicamente indecifráveis e, para si, inúteis tendo em conta os seus parcos conhecimentos. Bem no fim da segunda folha, num minúsculo quadrado a preto e branco, estava a única informação que desde início pretendera: a foto do material. Porém, era tão barbaramente pequena que não dava para perceber mais do que um borrão de sombras. Arreliado, virou-se para o técnico, não contendo um leve berro:
- Ó MANEL! VOCÊ ‘TÁ A BRINCAR COMIGO?!?!?!?!?
Apanhado de surpresa com a reacção inesperada, o informático ficou com um ar um pouco aflito olhando-o.
- Não… - disse numa voz trémula e apalpando o terreno.
- Bem, isto faz-me lembrar uma história. Aqui há uns anos, resolvi comprar os primeiros computadores para a empresa. Agora parece algo banal, mas na altura era bastante inovador, dado os anos que já lá vão. Contactei um distribuidor, vieram cá instalá-los e, aquando disso, ficaram de voltar mais tarde para dar formação sobre como usar as geringonças. Uma vez mais, esta situação não faz sentido nos tempos que correm, mas naquele tempo, estes aparelhos não tinham a proliferação de hoje em dia, pelo que pouca gente os sabia usar correctamente.
» Ora, trazer, eles trouxeram. Mas a formação, essa nunca mais chegava. Um dia, cansei-me de esperar e liguei para lá, exigindo que viessem tratar do assunto nesse mesmo dia. Quando o técnico apareceu, queixei-me de que me tinham vendido o equipamento mas que nunca mais tinham cumprido a promessa de voltarem para ensinar a trabalhar com ele.
» Vira-se a lata do “gajo” para mim e diz-me:
- “Ora! Quando vai a um Stand comprar um carro, supõe-se que tenha carta de condução…”
» Vocês ‘tão a ver ele a dizer isto ao Tónio Puto, não estão?... “VOCÊ VAI PEGAR NA MERDA DO EQUIPAMENTO E LEVÁ-LO DE VOLTA, E JÁ!!!!”
Milú a tua aventura "brincadeiras do caneco" fez-me avivar a memória com esta que passo a contar.
Pela tarde havia grande animação no galinheiro do “Zé Maria sacristão”. Quando uma galinha cacareja, é sinal de ovo fresco no cesto e todas ficam agitadas incluindo o galo que domina a capoeira.
“Có-ca-ró” – entoava o galo com voz de tenor.
“Có-có-có” – respondiam elas em coro.
“Có-ca-ró-ca-ró-có-ca-ró” – repenicava ele novamente.
“Có-có-có” – respingavam as galinhas esvoaçando inquietas.
Nesse dia a cantoria nunca mais findava. E, ou as galinhas iam encher o cesto de ovos, ou tinham resolvido afinar a voz para algum concurso galináceo, pensava com os seus botões a mulher do “sacristão”.
No dia seguinte, ainda o sol piscava o olho dando a primeira espreguiçadela e, como de costume, a Arminda lá se dirigiu aos cestos de palha convencida que a colheita ia chegar para saciar a família e ainda sobejar para vender à vizinhança.
Ficou a mulher admirada ao encontrar os cestos vazios e as galinhas agachadas. Logo começou a matutar e a deitar culpas ao calor que as deixava molengonas. E falando sozinha ia dizendo: “Nada como um pouco de fome de milho para vós vos despachares, bando de preguiçosas!”
Como sempre acontecia quando elas se retardavam, levantava-lhes o penacho e enfiava-lhes o dedo mindinho para ver se estavam atrasadas na postura e ia tagarelando com elas: “Se os ovos foram comidos corto-vos o bico, suas lambonas!”
Quando levantou a primeira e depois outra e outra, exclamou muito assustada “Meu Deus!!... Alguém arrancou o cú às minhas pobres galinhas!”
A carne da cloaca tinha saído fora e estava tão inchada que quase batia no chão. Os animais estavam meios dormentes e cambaleavam de febre. Até o galo que gostava de se mostrar valente se encontrava encolhido a um canto a olhar o harém desfeito.
O cenário era assustador. A mulher levou as mãos à cabeça. Depois esfregava os olhos não querendo acreditar. Até que se lembrou da algazarra do dia anterior, desatando numa desenfreada gritaria, acordando família e vizinhos parecendo que tinha perdido o tino.
- Zetaaaaaaaaaaa! Anda cá Zeta! Eu vou-te matar de pancada, raio de rapariga! Zetaaaaaaaaaaaa! Ah minha filha da ****, que eu desfaço-te desmiolada!
Nazaré era a filha mais nova do casal a quem os irmãos começaram a chamar “Zeta”. Além de travessa era um pouco Maria-rapaz e só fazia patifarias. Era uma atrás de outra.
Claro que a rapariga se antecipou. Mal ouviu a mãe a remexer pela casa, saiu sorrateira e ladina dando de frosques para a “bouça do Pereira”. Ela sabia bem como tinha terminado no dia anterior a aventura no galinheiro. Tinha ouvido os cacarejos das galinhas de tarde e como não tinha nada mais interessante para se entreter tinha resolvido imitar a mãe. Entrou no galinheiro e de dedo esticado resolveu averiguar se as galinhas nesse dia iam ser generosas. Levantou uma das galinhas que estava já no cesto da palha e enfiou o dedo mindinho com jeitinho, descobrindo que o ovo estava lá e quase prontinho a cair no cesto. “Boa! (pensou) Não tarda vai pôr ovo e sou eu quem o arruma na despensa!”
Aguardou impaciente uns minutos. Mas ou estava atrasado o serviço ou a galinha se assustou e foi nessa altura que resolveu antecipar a sua saída enfiando de novo, agora não um dedo, mas aqueles que precisou para arrancar o ovo que se esborrachou ainda dentro do rabo da galinha, enquanto esta gemia e esperneava de dor. Pensando a “Zeta” que se tratava de pouca sorte nesta primeira tentativa, logo se dirigiu à seguinte na esperança que a tarefa corresse melhor. E assim, uma a uma lá foi arrancando os ovos às galinhas que conseguiu agarrar, deixando-as a arder por dentro e sem ovo nenhum que servisse para estrelar.
Quanto às galinhas traumatizadas nem para canja serviram.
A rapariga traquina, essa, quando a fome apertou lá teve de regressar e não sei o que lhe aconteceu. Mas certamente teve mais sorte que as pobres galinhas que passaram pelas suas mãos.
Ser gato deve ser uma boa opção e com qualidade de vida, especialmente, quando se tem a sorte de encontrar o dono certo.
O Jorge escolheu um gato com ar mimado e sonolento, eu uma gata com as baterias completamente descarregadas.
Como tu dirias : És uma exagerada!
E eu respondo : A verdade mora aqui bem próximo!
Boas férias a quem vai de férias.
Bom trabalho a quem o vai recomeçar.
Que o bom tempo nos acompanhe e a alegria não nos abandone.
P.S.: Apareçam! A volta em bicicleta passa pertinho da minha terra se não me encontrarem é porque estava mais fresquinho no sofã e a vista é mais bonita na TV